Projeto criado após as enchentes de 2024 propõe monitoramento ambiental com sensores e comunicação via satélite
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23.10.2026 - 18h07min
Três estudantes do Colégio Madre Imilda, de Caxias do Sul, venceram a primeira edição do Sateliot Impact Challenge 2026 e garantiram uma viagem à Espanha para aprimorar um projeto de monitoramento ambiental. A proposta foi desenvolvida a partir da experiência das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 e busca contribuir para a identificação de situações de risco.
A equipe é formada por Isabelle Lucena de Godoy, Laura Dalla Vecchia Pedroni e Rafael Bender Guisolfo, alunos da terceira série do Ensino Médio. O trabalho foi desenvolvido sob orientação da professora e doutora Luiza Pereira Dartora e integra o projeto Latitude 30.
A iniciativa educacional foi promovida pela operadora de satélites Sateliot em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), por meio da Global Education Coalition. No Brasil, o programa envolveu a formação de 100 professores, alcançou 1,2 mil estudantes e recebeu 40 projetos.
Projeto usa sensores para monitorar riscos ambientais
A proposta dos estudantes caxienses prevê uma rede integrada de sensores para monitorar indicadores como nível dos rios, volume de chuva e umidade do solo e do ar. Os dados seriam combinados à comunicação via satélite e a uma plataforma digital para acompanhar as condições ambientais e auxiliar na identificação de possíveis situações de risco.
Segundo a estudante Laura Dalla Vecchia Pedroni, a ideia é aplicar conhecimentos de ciência e tecnologia na proteção das comunidades. O nome Latitude 30 faz referência ao paralelo 30° Sul, que atravessa o Rio Grande do Sul.
“Queríamos valorizar nossas origens sem limitar o alcance do projeto, pois sabemos que os desafios relacionados às enchentes e aos eventos climáticos extremos ultrapassam fronteiras”, explica Laura.
O projeto foi escolhido pelo júri pela relação com os impactos das enchentes de 2024 e pela integração entre conectividade satelital, Internet das Coisas (IoT) e uma proposta voltada a uma necessidade da comunidade.
De acordo com a orientadora, Luiza Dartora, o desenvolvimento do trabalho envolveu pesquisa, análise de dados, uso de inteligência artificial e elaboração de matrizes de gerenciamento de projetos alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Equipe participará de hackathon internacional
Com a vitória, os estudantes participarão do Hackathon Barcelona 2026, onde terão contato com especialistas na sede da Sateliot, poderão aperfeiçoar o Latitude 30 e apresentar a proposta no Demo Day, etapa final do evento. A programação também prevê visitas a empresas e oportunidades de divulgação internacional do projeto.
Laura conta que a notícia da conquista foi recebida com entusiasmo pelo grupo.
“Percebemos que uma ideia que surgiu dentro de uma sala de aula havia alcançado proporções que jamais imaginávamos. Queremos aprender com especialistas, conhecer novas possibilidades para o desenvolvimento do Latitude 30 e compartilhar nossa ideia com pessoas de diferentes lugares”, afirma.
A estudante também destaca o significado de representar o Rio Grande do Sul após a tragédia climática de 2024.
“Mais do que representar nosso projeto e nossa escola, temos orgulho de representar o Rio Grande do Sul, um estado que, mesmo diante de uma das maiores tragédias de sua história, demonstrou uma enorme capacidade de resiliência, reconstrução e união”, diz.
A expectativa, segundo Laura, é que a experiência ajude a transformar a proposta em uma solução com aplicação prática.
“Esperamos que essa experiência seja mais um passo para transformar nossa ideia em uma solução capaz de gerar impacto real na sociedade”, conclui.
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