Temporada marca estreia do artista na capital gaúcha com trabalho autoral sobre deficiência, identidade e inclusão
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11.06.2026 - 14h54min
O ator caxiense Eduardo Matias prepara a chegada de seu monólogo “Mãozinha” a Porto Alegre, marcando um novo capítulo de uma trajetória artística construída entre teatro, educação e inclusão.
Estudante do curso de Teatro Licenciatura e bolsista do Núcleo de Teatro da UFPel, Matias foi aprovado no edital Novas Caras Porto Alegre, levando pela primeira vez um trabalho autoral à capital gaúcha. As apresentações acontecem nos dias 17 e 24 de junho e 1º de julho, na Sala de Teatro Álvaro Moreyra.
Há cinco anos circulando pelo Rio Grande do Sul com espetáculos, oficinas e ações formativas, Eduardo construiu um percurso que tem raízes em Caxias do Sul e se expande por diferentes territórios culturais do Estado.
A temporada em Porto Alegre representa um marco importante: apesar da ampla circulação artística, esta será sua estreia com um trabalho próprio na capital.
Para Eduardo, a aprovação no edital chega em um momento de consolidação artística e também de afirmação política da presença de artistas com deficiência na cena cultural gaúcha.
“Essa conquista representa muito mais do que uma temporada de teatro. Quero dizer, através dela, que nós, pessoas com deficiência, podemos ocupar palcos, vir à luz, enfrentar o desconhecido e desafiar os estigmas de uma sociedade que muitas vezes nos torna invisíveis. Quero que alguém com deficiência possa olhar para o meu trabalho e reconhecer em si suas próprias forças criativas, sua potência e seu direito de existir plenamente na arte e no mundo”, expressa o artista.
Com cunho autobiográfico, “Mãozinha” atravessa memórias, situações absurdas e experiências sociais relacionadas à deficiência física, revelando conflitos, excessos de cuidado e os impactos do olhar do outro sobre o corpo considerado diferente. Entre humor, crítica e sensibilidade, o espetáculo transforma vivências pessoais em reflexão coletiva.
TRAJETÓRIA
Sua formação profissional aconteceu na escola de atores e atrizes Tem Gente Teatrando, entre 2019 e 2021, período em que consolidou bases de atuação e criação cênica.
Em 2021, estreou o monólogo autobiográfico “Mãozinha” na Casa Paralela. O espetáculo parte de sua experiência com a deficiência na mão direita para refletir sobre identidade, invisibilização e o olhar social sobre corpos diversos.
Entre 2022 e 2024, integrou o Grupo A Gangorra, aprofundando processos coletivos e experiências de cena. Em 2023, participou também do Coro do Moinho UCS, ampliando sua investigação artística por meio da musicalidade e do trabalho vocal.
A trajetória autoral de Matias inclui ainda a estreia de seu segundo ato cênico, “Essas Pessoas: À Luz do Teatro”, obra concebida a partir de políticas de fomento cultural e dedicada à reflexão sobre presença, acessibilidade e pertencimento na arte.
Mais recentemente, realizou sua primeira direção teatral com “Além da Visão”, experiência de teatro cego que propõe novas formas de percepção e relação entre artistas, público e espaço cênico.
Paralelamente à atuação e direção, Eduardo vem consolidando um importante trabalho formativo. Desde o início deste ano, realizou mais de 40 oficinas de Parateatro Inclusivo, metodologia criada pelo próprio artista como inovação pedagógica e artística voltada à promoção da inclusão por meio da linguagem teatral. A proposta reúne jogos, criação cênica e experiências acessíveis que colocam a diversidade corporal e sensorial no centro do processo criativo.
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