Imagens, sons e intervenções visuais transformam ruídos do cotidiano em experiência artística
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17.09.2026 - 18h08min
Como soa Caxias do Sul? O barulho do transporte público no horário de pico, o movimento do comércio da Avenida Júlio de Castilhos depois do dia do pagamento, os sons dos parques e os ruídos característicos da rotina industrial fazem parte da paisagem sonora de quem vive na cidade.
Esses sons, muitas vezes percebidos sem que se dê atenção a eles, são o ponto de partida para a instalação artística “Tan Tan Na Nam”, da artista visual Fantal e do diretor de fotografia Antônio Ternura.
A mostra será aberta na terça-feira (22), às 17h15, no Espaço Cultural Mário Crosa, na Câmara de Vereadores de Caxias do Sul. O projeto propõe uma experiência que combina fotografia, som e linguagem visual para apresentar diferentes percepções sobre o cotidiano urbano.
A instalação é formada por sete telas com fotografias impressas em serigrafia, acompanhadas de intervenções em stencil com onomatopeias, além de sete sons captados em locais simbólicos do município. A proposta é transformar em imagem aquilo que normalmente permanece apenas no campo da audição.
O resultado aproxima a arte de uma linguagem familiar ao público. As onomatopeias, como representações gráficas de sons, ajudam a tornar visível um universo que não pode ser fotografado: os ruídos da cidade.
A referência estética vem do Graffiti e das histórias em quadrinhos, linguagens presentes na trajetória de Fantal, que há cinco anos desenvolve, de forma analógica, histórias em quadrinhos no estilo mangá.
Entre os registros estão sons considerados banais, mas que ajudam a compor a identidade de uma cidade. A instalação trabalha tanto com ruídos puros quanto com sons vocalizados, como o “atchim” de uma rinite ou o “cof cof” de uma tosse.
“É uma oportunidade de conhecer a cidade de outras maneiras, ver algumas traduções de percepções do cotidiano”, explica Fantal.
Além das telas e dos sons, os visitantes receberão cartões-postais com imagens e explicações relacionadas às situações retratadas na exposição. A ideia é ampliar a experiência e estimular um olhar mais atento para os espaços e acontecimentos que fazem parte da rotina caxiense.
Sons que também podem ser sentidos
A acessibilidade é outro elemento presente na concepção de “Tan Tan Na Nam”. A estrutura física da Câmara Municipal será utilizada para receber a instalação, e a abertura contará com tradução em Libras.
Para o público surdo, uma caixa de som instalada no chão reproduzirá os registros sonoros em loop. Dessa forma, as vibrações poderão ser percebidas pelo tato, criando outra possibilidade de contato com os sons captados durante o projeto.
A iniciativa também prevê um laboratório de estudos e trocas com alunos da Escola Estadual Helen Keller, além do desenvolvimento de ações futuras junto à comunidade surda.
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