Mostra da fotógrafa Janaina Perotti fica até 30 de outubro no Prataviera
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20.10.2026 - 09h38min
O olhar infantil como expressão de sentimentos, desejos e emoções é o tema da exposição fotográfica "Janelas D’Alma", da fotógrafa caxiense Janaina Perotti, em cartaz até 30 de outubro, no primeiro andar do Prataviera Shopping, em Caxias do Sul. A mostra reúne cerca de 15 a 20 retratos e convida o público a refletir sobre aquilo que as crianças comunicam para além das palavras.
Instalada em frente ao salão Orion, a exposição representa a terceira edição aberta ao público do projeto autoral de Janaina. Anteriormente, o trabalho foi apresentado em um espaço no bairro Forqueta e outro no Cidade Nova.
Agora, pela primeira vez, chega a um ambiente de grande circulação, ampliando o acesso do público à pesquisa artística da fotógrafa.
A origem de "Janelas D’Alma" está ligada à maternidade e, especialmente, à relação da artista com a filha, Liz. A experiência despertou em Janaina o interesse pelo olhar como forma de comunicação e expressão humana.
“Quando tive o primeiro contato visual com a Liz, senti uma verdadeira explosão de ocitocina. O olhar dela me despertou para algo maior. A partir dali, passei a reparar no olhar de outras crianças e de outras pessoas. Comecei a enxergar com mais profundidade tudo aquilo que expressamos sem palavras, sem gestos, apenas com os olhos”, relata.
A partir dessa percepção, a fotógrafa desenvolveu uma série de retratos que acompanha o amadurecimento de sua pesquisa artística. Cada etapa do projeto apresenta uma identidade visual própria, com cores, cenários e elementos simbólicos que ajudam a construir diferentes interpretações sobre a infância.
Cores e símbolos traduzem sentimentos
Na primeira fase, marcada pelo azul, a proposta era concentrar a atenção nos olhos das crianças. Roupas, cenários e outros elementos visuais ficavam em segundo plano para que o olhar assumisse o protagonismo das imagens.
Na segunda etapa, em tons de laranja, a iluminação quente criou uma atmosfera mais acolhedora, enquanto as crianças eram estimuladas a apresentar expressões questionadoras e reflexivas.
A terceira fase, representada pelo verde, incorporou recursos de inteligência artificial à composição dos retratos. Flores e animais escolhidos pelas próprias crianças passaram a integrar as imagens, associados simbolicamente aos sentimentos e desejos de cada participante.
Objetos como baldes e antigos cantis de leite também foram utilizados como metáforas do inconsciente, representando recipientes que poderiam ser preenchidos pelos afetos simbolizados pelas escolhas infantis.
Na fase atual, em tons de lilás, o conceito central é um baú, que representa algo precioso, grandioso e ainda em desenvolvimento. Ao abri-lo, as crianças encontram a própria imagem refletida em dois espelhos iluminados por LED.
A proposta é destacar o potencial presente em cada criança e a importância do olhar dos adultos durante o processo de formação.
“O baú guarda algo valioso, que precisa ser cuidado e lapidado para revelar todo o seu potencial. Quando a criança abre e encontra a própria imagem, a intenção é mostrar que aquilo que existe de precioso está nela mesma”, explica Janaina.
Da música à fotografia
Nascida em Caxias do Sul, em 1991, Janaina cresceu em um ambiente marcado pela criatividade e pelo contato com diferentes manifestações artísticas. Filha do marceneiro Jadenir Perotti e da auxiliar de serviços gerais Zélia Lume Perotti, teve desde cedo referências na música, no desenho e nos trabalhos manuais.
Na infância, acompanhava os ensaios do coral do qual os pais participavam, observava os desenhos realistas e projetos desenvolvidos pelo irmão e se interessava pelas criações produzidas na marcenaria da família.
Na adolescência, incentivada pelos pais, estudou canto por um período. Mais tarde, já na vida adulta, encontrou na fotografia sua principal forma de expressão. Em março de 2012, iniciou um curso básico na área e começou a construir sua trajetória profissional.
Depois de atuar em diferentes segmentos da fotografia, passou a se dedicar especialmente aos retratos, buscando registrar histórias, identidades e particularidades de cada pessoa.
Em Janelas D’Alma, essa experiência se traduz em um trabalho autoral que explora a comunicação não verbal e a singularidade da infância. O próprio nome da série faz referência à conhecida frase atribuída ao escritor Edgar Allan Poe: “Os olhos são as janelas da alma”.
Para a fotógrafa, o projeto também propõe uma reflexão sobre a maneira como os adultos percebem e acolhem as emoções das crianças.
“Acredito que precisamos voltar mais a atenção para o aqui e agora, para o presente e para as nossas crianças. Precisamos aprender a validar os sentimentos delas da mesma forma como fazemos com os adultos. Muitas vezes, a voz de uma criança se expressa justamente no olhar”, expressa.
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