Gustavo Marcarini, mestrando em Ciências da Saúde na Universidade de Caxias do Sul
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02.08.2026 - 18h59min
Imagine que 30% dos funcionários da sua empresa estejam trabalhando com metade da capacidade, não porque estejam doentes o suficiente para se afastar, mas porque o estresse crônico está corroendo silenciosamente a produtividade deles. Agora imagine que ninguém na empresa sabe disso, porque esse custo não aparece em nenhum relatório financeiro. Esse é o problema que decidi transformar em pesquisa.
Mestrando em Ciências da Saúde na Universidade de Caxias do Sul (UCS), desenvolvi o que pode ser o primeiro estudo brasileiro a calcular, com metodologia científica internacional, quanto o estresse crônico custa para as empresas e para o sistema de saúde em reais, por trabalhador, por mês.
A ciência já calculou esse número em outros países. Nos Estados Unidos, o estresse laboral custa US$ 187 bilhões por ano às empresas. Na Holanda, um único episódio de afastamento por estresse custa quase 20 mil euros ao empregador. No Brasil, a gente não tem esse dado ainda. É exatamente isso que quero mudar.
O fenômeno tem nome técnico: presenteísmo. É quando o colaborador está fisicamente presente, mas opera abaixo da sua capacidade real por conta do estresse. Diferente do afastamento formal, ele não aparece nos registros de RH e por isso é tratado como invisível, mesmo sendo mais caro que o próprio absenteísmo segundo pesquisas internacionais.
Um estudo global com oito países mostrou que o Brasil tem o maior custo de presenteísmo do mundo: US$ 5.788 por trabalhador por ano — acima dos Estados Unidos. E a maioria das empresas brasileiras não sabe disso.
Para medir esse impacto, vou utilizar dois instrumentos validados cientificamente para a população brasileira: o DASS-21, que mede o nível de estresse, e o WPAI-GH, que calcula a perda de produtividade e a converte diretamente em valor monetário. Os dados coletados alimentarão um modelo econômico que estimará o custo real do estresse para empresas de diferentes setores no Sul do Brasil.
Além do impacto acadêmico, já aplico a metodologia em empresas da região por meio de diagnósticos organizacionais que entregam, em poucas semanas, um relatório mostrando quanto o estresse está custando para aquela empresa específica.
A Serra Gaúcha tem uma das maiores concentrações industriais do Sul do país. Faz sentido que o primeiro estudo brasileiro sobre esse tema tenha origem aqui.
A pesquisa é orientada pela professora doutora Heloisa Theodoro e coorientada pela professora doutora Maria Carolina Rosa Gullo e integra o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da UCS, com concentração em Investigação Clínica e Epidemiológica.
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