A Estação Férrea, recentemente revitalizada, parece estar entregue à própria sorte ou da boa vontade da população
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09.09.2026 - 16h36min
Os espaços públicos revelam como os cidadãos cuidam da cidade. Praças, parques e outros ambientes coletivos são responsabilidade da Administração Pública, mas cabe a todos nós preservar o passeio público.
Há pouco tempo, o Centro viveu um breve suspiro de vida. A reinauguração da Estação Férrea, com um show da Família Lima em pleno dia de semana, reuniu centenas de pessoas. Logo depois, o Natal trouxe um novo encantamento e a grande novidade da temporada: um túnel de led piscante que atraiu milhares de visitantes.
A magia de ver famílias reunidas no Centro, antes esquecido, não surgiu apenas das luzes, mas da combinação entre entretenimento e um passeio acessível para grupos de amigos e famílias inteiras. Além do passeio, a possibilidade de andar de roda-gigante tornou-se uma opção de lazer acessível em família. Da mesma forma, um show gratuito em pleno dia de semana é algo pouco comum por aqui.
A ocupação dos espaços públicos é um bom remédio contra o vandalismo. Mas, também se aplica a outros sintomas que são muito reclamados, como o cansaço, a falta de opções e dificuldade de conviver com entre os caxienses. As atividades culturais, por sua vez, ajudam a reverter a sensação de desinteresse pelas nossas praças e parques, ampliando a interação das pessoas com seu próprio território, seja no bairro ou no Centro. Então, por que ainda presenciamos estes espaços abandonados e pouco cuidados?
Neste feriado resolvi visitar a Estação Férrea e conhecer algumas inovações que foram instaladas por lá. Tinha ouvido falar sobre o show de águas, mas todas as vezes que passei por ali, elas estavam desligadas. Desta vez, eu tive sorte. Mas, confesso que fiquei imaginando como este espaço poderia ser melhor aproveitado por artistas de rua se apresentando ou com uma agenda cultural, com DeeJays locais ou apresentações de teatro. A região da Praça das Feiras e o Complexo da Estação tem muito potencial, mas encontrei mais lixo espalhado do que visitantes.
Entre as dezenas de sacolas, garrafas vazias, um ou outro pedestre caminhando com seu cachorro. Uma pena. Alguns passos dali, num estabelecimento privado acontecia uma feira incrível, reunindo dezenas de jovens em torno de música, grafite e café. O Graficafé é uma iniciativa que merece ganhar mais espaço e ocupar ambientes como a Estação Férrea. Mas, por que ainda não conseguimos promover mais e mais eventos que deem vida ao nosso patrimônio público?
Quanto tempo vai levar para o nosso abandono público tornar-se vandalismo e exigir novos investimentos para a pintura, reformas ou substituições de itens depredados? Onde as pessoas não vivem, não há vida. Então, que possamos viver mais nossa cidade.
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Criatividade e Tendências colunista Bruno Bazanella Ocupar os espaços é preservar a cidade Caxias do Sul

