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A próxima disputa entre as cidades brasileiras não será apenas por empresas. Será por pessoas

Vinicius De Tomasi Ribeiro, Arquiteto e Urbanista, professor e microempresário na área de planejamento territorial e mobilidade humana

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Jornalista - Redação

redacao@serraempauta.com.br

Divulgação
Vinicius De Tomasi Ribeiro aparece segurando um microfone durante uma apresentação. Ele veste camiseta branca, usa relógio e pulseiras, e está diante de um painel com elementos gráficos predominantemente verdes.

O Global Cities Index 2026, da Oxford Economics, analisou mil cidades considerando economia, capital humano, qualidade de vida, meio ambiente e governança. O estudo inclui 29 cidades e áreas urbanas brasileiras. São Paulo aparece em 292º lugar; Brasília, em 335º; Campinas, em 463º; Rio de Janeiro, em 487º; e Florianópolis, em 498º. Depois aparecem Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Ribeirão Preto, São José dos Campos, Sorocaba, Joinville, Goiânia e diversas outras cidades brasileiras.

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Mas, como planejador urbano, considero que o principal valor desse estudo não está na posição de cada cidade. Está no diagnóstico que existe por trás dos números. São Paulo é um exemplo emblemático: ocupa a 95ª posição mundial em capital humano, mas apenas a 572ª em qualidade de vida.

Isso traduz um dos principais desafios urbanos brasileiros: somos capazes de concentrar conhecimento, universidades, empresas e oportunidades, mas ainda temos dificuldade de transformar esses ativos em qualidade urbana suficiente para atrair e reter pessoas. E é justamente aqui que acredito estar uma das grandes agendas das cidades nos próximos anos.

A competição territorial está mudando.

Não bastará oferecer terreno, incentivo ou infraestrutura para uma empresa se instalar. Cidades competitivas precisarão ser capazes de atrair talentos, reter jovens, produzir conhecimento, gerar renda, estimular inovação e oferecer qualidade de vida suficiente para que as pessoas escolham permanecer naquele território. E isso não exige esperar vinte anos.

Em seis ou doze meses uma prefeitura pode mapear suas vocações econômicas, aproximar universidades e empresas, criar uma agenda de talentos, simplificar processos para novos investimentos, conectar jovens ao mercado local, qualificar espaços públicos estratégicos e estabelecer indicadores para acompanhar sua competitividade.

O próprio relatório mostra que economia e capital humano formam um ciclo: setores de maior produtividade atraem trabalhadores mais qualificados, e a presença desse capital humano passa a atrair novos investimentos.

Com a Reforma Tributária, essa discussão ganha ainda outra dimensão. Qualidade urbana, capacidade de gerar renda e atratividade territorial passam a ter importância cada vez maior na estratégia econômica dos municípios.

Por isso tenho insistido em uma ideia:

Plano Diretor não pode tratar apenas de onde e quanto construir. Ele precisa dialogar com uma pergunta muito mais estratégica:

Que pessoas, atividades econômicas, conhecimento e oportunidades queremos atrair para este território nos próximos dez ou vinte anos?

Mobilidade é desenvolvimento econômico. Habitação é desenvolvimento econômico. Qualificação profissional é desenvolvimento econômico. Inovação é desenvolvimento econômico. Resiliência climática é desenvolvimento econômico. E qualidade de vida, cada vez mais, será vantagem competitiva territorial.

O Brasil já possui cidades com escala. Agora precisamos transformar escala em produtividade, conhecimento em inovação e crescimento em qualidade de vida.

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