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Entrevista de Sábado

Duca Leindecker retorna a Caxias com turnê Tudo que se tem

Em entrevista ao Serra em Pauta, músico fala sobre o novo álbum, parcerias e os desafios das plataformas digitais

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Jornalista - Redação

redacao@serraempauta.com.br

Guilherme de Moura/Divulgação
Duca Leindecker retorna a Caxias com turnê Tudo que se tem

Entrevista realizada pela jornalista Ana Seerig.

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O músico Duca Leindecker retorna a Caxias do Sul com a turnê “Tudo que se tem”, que reúne canções do seu álbum mais recente e antigos sucessos. O show acontece na próxima quinta-feira (5), e os ingressos podem ser adquiridos na plataforma Ingresso Nacional. Ele estará acompanhado de Guilherme Leindecker, Maurício Chaise e Claudio Mattos.

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Na manhã de sexta-feira, dia 23 de outubro, ele conversou com o Serra em Pauta sobre o processo de produção do álbum mais recente e sobre como as mídias digitais afetam o consumo de música.

“Tudo que se tem”, lançado em 2025, é o primeiro álbum de inéditas em sete anos. Como foi o processo da composição da primeira música até perceber que tinha um álbum pronto?

A gente foi morar um ano nos Estados Unidos e foi uma oportunidade de eu parar, juntar o que eu já tinha feito e começar a produzir esse disco. Eu comecei a trabalhar em casa e trabalhar no estúdio do James McLaughlin, lá em Charlottensville, onde a gente morava. Inicialmente eu tinha a ideia de chamar o disco de “trem”, porque tem muitos movimentos no disco que tem a ver com trem, só que eu mudei para esse conceito de “tudo que se tem”, até pelos estilos que acabaram surgindo com o disco, pela estética do disco mesmo e pela música “Tudo que se tem”.

Como essa experiência de morar com a família nos Estados Unidos influenciou o álbum?

No terceiro disco da Cidadão Quem, que a gente fez nos Estados Unidos também, eu lembro que a gente estava no estúdio com a Lauryn Hill e com o Smashing Pumpkins e a gente foi escutar a primeira versão desse álbum. Quando acabou a audição, eu achado que estava fazendo rock e eles: “como é bonita a música brasileira”. Aí eu me dei conta de que a gente às vezes tem pretensão de fazer um estilo, mas no fundo a gente está falando das nossas coisas, da nossa cultura, por mais que a gente ache que não, a gente é brasileiro e acaba transmitindo isso. Então eu abracei bastante isso, de usar essa brasilidade. Esse disco tem muito isso, a harmonia, a bossa nova, que foi minha primeira influência e que sempre esteve nas minhas músicas, e também com a pegada do rock, que é uma coisa que está na minha história.

Mas fato de tu estar morando lá, com uma filha em idade escolar, e não apenas de passagem para gravar um álbum, influenciou de alguma forma as letras dessas novas músicas? Essa experiência de “ser estrangeiro”?

Toda experiência é combustível para produzir, para criar. Para criar tu tem que ter experiência de vida, senão tu não traduz. A arte nada mais é do que a tradução do que acontece na vida. [Morar no exterior] é uma experiência única de desafios, a Laurinha se adaptando na escola, a cultura diferente... Aumenta essa diversidade que é rica para criar. As pessoas às vezes não entendem que a diversidade é o que traz a riqueza das coisas. Lá a gente convivia, por incrível que pareça, com mais diversidade do que a gente convive aqui normalmente.

Nesse álbum também tem uma faixa com o teu filho Guilherme Leindecker. A música “Fogo” é uma composição de vocês dois?

Não, a música é dele. Uma vez estragou o meu telefone e eu fui transferir a nuvem para o telefone novo. Eu achei que estava baixando a minha nuvem, mas era a dele e vieram as músicas dele para o meu telefone. Ele nunca tinha me mostrado. Eu falei: “Que bonita essa música!”, mas ele não queria que eu tivesse escutado. Passou um tempo, veio a oportunidade de gravar esse disco novo e eu falei que queria a música, então ele começou o processo de lapidar para entrar no disco. Letra e música são dele, não tem nada meu. Eu acho linda a música e é uma das músicas que as pessoas mais gostam.

Também tem duas composições novas em parceria com o Humberto Gessinger.

Inclusive essa semana eu estava mixando aqui no estúdio as duas músicas que ele vai lançar, uma delas é “Calmo”, uma versão nova que ele gravou em Estocolmo e eu mixei aqui no meu estúdio e gravei uma voz e uma guitarra. Tem também “De volta para casa”, que é a última do álbum, que também é minha e do Gessinger.

Elas foram escritas antes da tua ida para os Estados Unidos?

Não, eu estava nos Estados Unidos, da mesma forma como a gente está conversando aqui. Acho que 100% das músicas que eu tenho feito com os meus parceiros, tanto Tiago Iorc quanto o Gessinger, tem sido pela videoconferência.

Sobre essa parceria com o Gessinger: alguma chance de o Pouca Vogal retornar aos palcos?

Acho que tem chance, acredito que sim. A gente tá sempre ‘quase voltando’. Por incrível que pareça, em 2028 vai completar 20 anos do lançamento do Pouca Vogal, então, quem sabe?

Agora em 2026 tu lançou uma outra música nova com o trio Paysanos (“Correnteza”). Como surgiu essa parceria?

Isso é parte de um projeto que eu quero que fique muito vivo. Essa participação com artistas novos é algo que eu quero que fique sempre acontecendo, porque tem muita gente legal que merece um pouco mais de atenção e eu posso emprestar um pouco do meu público para essa galera que está chegando. Paysanos é excelente, um grupo muito interessante com uma combinação de música regionalista gaúcha, com espírito meio roqueiro, então eu achei fantástico. O show deles é maravilhoso e a gente fez uma música juntos. Eu tô fazendo uma música com o Ian Ramil e tô fazendo uma versão de “No nosso tempo” com a Nina Nicolaiewsky, filha do Nico. Como eu acabei construindo um outro estúdio - é o meu quarto estúdio -, é muito massa poder viabilizar projetos, criar com essa gurizada nova.

Isso é algo que tu sempre fez, porque a Vera Loca é uma banda que foi apadrinhada por ti lá no começo.

Com certeza, eu sempre tive esse espírito. Com a Vera Loca eu fiz o primeiro, fiz o segundo, do terceiro eu participei também, mas aí já me afastei um pouco. Me sinto muito orgulhoso do trabalho dos guris, eles criaram uma carreira muito legal. É muito bom ver que além da minha carreira, de alguma forma eu consigo impactar na carreira de artistas novos.

Tu falou antes em emprestar o teu público para os novos artistas. O mundo digital não está distribuindo as novas músicas e os novos artistas como deveria ou as pessoas não estão buscando o que há de novo?

Os principais responsáveis por isso são as plataformas digitais, as redes sociais e o algoritmo. Eles levam as pessoas a ficarem em uma zona de conforto, com cada vez menos esforço e cada vez mais prazer. Prazer com menos esforço, essa é a equação do algoritmo. E aí começa a ficar bizarro porque as pessoas começam a se contentar com coisas superficiais, sem disponibilidade de se aprofundar. Isso é uma grande crise que a gente tá vivendo. É uma pena. As pessoas deveriam ter essa consciência porque gera muita ansiedade, as pessoas estão sentindo isso. Ler um livro é muito diferente de rolar um feed. A gente acaba um livro com uma sensação muito melhor do que rolar um feed. Experimenta e lê um livro, nem que seja um pequeninho, pode ser “A casa da esquina” que não é grande, que é um livro que eu escrevi e que tem muitas edições, porque as pessoas leram. Experimenta ler um livro que quando terminar tu vai sentir uma sensação muito boa.

Ao longo da tua carreira tu já trabalhou em diferentes formatos: em banda com a Cidadão Quem, em dupla com o Humberto Gessinger e agora a carreira solo. Talvez tu não tenha uma forma favorita, mas são maneiras diferentes de fazer música, certo?

São experiências diferentes. Eu sempre tento buscar o novo, sempre tento criar uma coisa diferente. O Pouca Vogal foi o maior exemplo disso. O Gessinger veio com a ideia do Pouca Vogal e a gente foi super ousado. Eu fico muito feliz, porque não tem nada parecido com o Pouca Vogal. Isso é muito legal.

O que o público vai conferir no show em Caxias?

A gente sabe que as pessoas querem ouvir as músicas antigas, então eu comecei a turnê colocando muito mais músicas novas do que o que tem agora. Então quem for no UCS Teatro pode ter certeza que vai ouvir vários sucessos da minha carreira. Eu sou muito grato a Caxias, porque Caxias sempre me prestigiou e faz parte da minha história. Tenho várias passagens por aí e sempre tenho memórias boas.

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