Silvana Piroli, presidente do Sindicato dos Servidores Municipais (Sindiserv)
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05.08.2026 - 15h39min
A gestão pública de Caxias do Sul vive um momento de contradições que preocupa a população. Em um dia, o discurso oficial aponta crise financeira, atraso no pagamento de fornecedores e dificuldades para honrar a folha salarial. No outro, são anunciadas novas obras, empréstimos e a ampliação de parcerias público-privadas, tanto na educação quanto na saúde. Afinal, qual é a real situação das contas do município?
O que não podemos aceitar é a repetição de uma velha narrativa: atribuir à folha salarial a responsabilidade pela crise. O trabalho dos servidores públicos é essencial para o funcionamento da cidade e não pode ser tratado como um problema contábil. Quando as finanças entram em dificuldade, é preciso revisar contratos, reavaliar prioridades e fortalecer um pacto de gestão baseado em responsabilidade e transparência. As decisões tomadas hoje terão reflexos por muitos anos e a conta sempre chega.
É evidente o esforço do governo para manter investimentos em infraestrutura e encontrar alternativas de financiamento. No entanto, é inevitável perguntar: como chegamos a esse cenário? A resposta passa pela ausência de planejamento de médio e longo prazo. Administrar uma cidade exige muito mais do que responder às demandas imediatas ou às pressões eleitorais. Exige definir prioridades, estabelecer metas e preparar o município para enfrentar períodos de instabilidade.
Governar sem planejamento é abrir caminho para o improviso. Recursos são limitados e, justamente por isso, cada investimento precisa ser analisado pelo seu impacto real na qualidade de vida da população.
Mais do que inaugurar obras, é preciso garantir que elas façam sentido dentro de um projeto consistente para a cidade. Esse projeto também depende de diálogo. Entidades representativas, servidores e a sociedade civil conhecem de perto os desafios enfrentados diariamente e precisam ser ouvidos com seriedade. Mas a participação só produz resultados quando existe um governo com objetivos claros e uma direção definida. Hoje, a impressão é de que cada secretaria atua de forma isolada, sem uma estratégia comum.
Caxias do Sul precisa de uma gestão que una planejamento, responsabilidade fiscal e capacidade de diálogo. Somente assim será possível superar as dificuldades do presente sem comprometer o futuro da cidade.
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