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Literatura

Historiadora de Caxias aborda cotidiano da França sob ocupação nazista

Franciele Becher participa de bate-papo na Feira do Livro neste domingo

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Fonte Normal
Jornalista - Redação

redacao@serraempauta.com.br

Divulgação
Historiadora Franciele Becher sorri enquanto segura o livro “Sob a Sombra da Suástica”, que aborda a França durante a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial.

Texto da jornalista Ana Seerig.

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Como é o dia a dia de um país em guerra? Responder a essa pergunta foi um dos objetivos da historiadora caxiense Franciele Becher ao escrever “Sob a sombra da Suástica”, livro que será tema de bate-papo neste domingo (11), a partir das 14h no palco da Feira do Livro de Caxias do Sul.

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Além de estar militarmente envolvido na Segunda Guerra Mundial, a França foi ocupada pelos nazistas e o país se viu dividido em dois: o governo de Vichy, que se apoiou na colaboração com a Alemanha, e os movimentos de resistência.

“O livro é uma tentativa de olhar para a guerra a partir do dia a dia das pessoas, do contato direto com a violência e das diferentes formas pelas quais os indivíduos e os grupos reagiram à situação de ocupação”, afirma Franciele.

O contexto abordado no livro foi estudado pela historiadora durante seu doutorado na Universidade Paris 8, defendido em janeiro de 2024, quando analisou histórias de adolescentes durante a Segunda Guerra Mundial. O convite para um livro dedicado à França ocupada partiu da editora Contexto e surgiu após Franciele participar de um podcast sobre História.

“Uma das coisas que eu gostaria que os leitores entendessem é que uma guerra, ou uma situação de violência como a que a Europa viveu durante a Segunda Guerra Mundial, não começa necessariamente quando é disparado o primeiro tiro. Existe todo um processo anterior de construção que levam a essa situação-limite. Ele é fomentado por discursos políticos violentos, pela normalização do racismo, da intolerância e da violência política, pela deslegitimação das instituições democráticas e por uma sequência de crises que pode fazer com que as pessoas passem a desacreditar na própria democracia, na própria soberania”, diz.

O livro parte de um histórico da década de 1930, justamente para contextualizar a situação francesa antes do início da guerra, e ao longo de sete capítulos procura apresentar ao leitor as diferentes perspectivas dos cidadãos franceses, seja pela sua localização geográfica, seja por sua origem étnica ou mesmo por seu posicionamento político.

Desde o lançamento oficial, no início do ano, Franciele já participou de diferentes bate-papos, inclusive em Brasília, e todas as vezes percebe que o tema surpreende.

“A França é um país extremamente próximo do Brasil, talvez um dos países europeus com os quais o Brasil tenha maior proximidade cultural e também uma relação diplomática muito antiga, e, ainda assim, a gente conhece muito pouco essa história recente da sociedade francesa. Esse período continua mexendo muito com as pessoas, porque envolve as famílias, as trajetórias individuais, pessoas que perderam parentes, amigos e conhecidos que foram perseguidos por sua origem ou sua filiação política, que se juntaram à resistência, ou que tiveram familiares presos, julgados e até condenados pelo que fizeram durante a guerra, por estarem ao lado da colaboração com o nazismo. As pessoas ficam impressionadas com aquilo que descobrem e, principalmente, com algumas semelhanças que percebem entre aquele período da história francesa e determinadas questões que temos vivido no Brasil e no mundo nos últimos 10 ou 15 anos, de maneira mais intensa”, explica.

A conversa na Feira do Livro de Caxias do Sul será mediada pela também historiadora Claudia Fin. Ao ser questionada sobre a importância de se discutir esse período francês no Brasil de hoje, Franciele conclui:

“A história da França ocupada não é apenas uma história distante, de quase um século atrás, mas uma história que também nos ajuda a pensar sobre o nosso presente, sobre como determinadas situações de crise se constroem e sobre o que acontece quando a violência e a intolerância começam a ser normalizadas dentro de uma sociedade.”

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