Lideranças alertam que despesas com transporte ameaçam negócios e postos de trabalho; novo edital federal está previsto para 2027
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23.10.2026 - 18h27min
A retomada das linhas ferroviárias e a integração com outros modais de transporte são apontadas como fundamentais para manter a competitividade do polo metalmecânico da Serra Gaúcha. O tema foi debatido nesta quinta-feira (22), durante a 35ª Mercopar, em Caxias do Sul. Lideranças empresariais e representantes do poder público alertaram que os custos logísticos ameaçam a permanência de empresas e empregos na região.
O painel sobre o futuro da concessão da Malha Sul foi promovido pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), em parceria com entidades empresariais. Desde setembro, um consórcio contratado pelo banco trabalha em estudos estratégicos para diagnosticar as necessidades ferroviárias da Região Sul.
O diretor de Planejamento do BRDE, Leonardo Busatto, destacou que o Governo Federal anunciou para o final de 2027 o lançamento do novo edital de concessão. Segundo ele, o prazo permite construir uma proposta que contemple as demandas regionais e tenha viabilidade.
“Como o Governo Federal anunciou para o final de 2027 o lançamento do novo edital de concessão, teremos tempo suficiente para apresentar uma proposta que contemple nossas necessidades estratégicas e que tenha viabilidade”, afirmou.
Os estudos devem ser concluídos até meados de 2027, com a apresentação de um primeiro diagnóstico ainda em 2026. Busatto também defendeu a mobilização de lideranças empresariais e políticas dos três estados do Sul para que as demandas da região sejam consideradas.
Custo logístico preocupa setor industrial
O vice-presidente regional do Centro das Indústrias do Rio Grande do Sul (Ciergs) e diretor de Relações Institucionais da Marcopolo, Ruben Bisi, alertou para os impactos dos custos de transporte sobre a indústria regional.
“Nossa movimentação de cargas está prejudicada em todos os modais. Por isso, temos um custo logístico de 21% do PIB, acima da média nacional e incomparável com outros países”, afirmou.
A Serra Gaúcha, segundo maior centro metalmecânico do país, enfrenta problemas históricos de infraestrutura que afetam a competitividade das empresas.
Para Marcelo Dondé, voluntário do MobiCaxias na área de infraestrutura, a futura concessão ferroviária será determinante para o setor produtivo. Ele atua na mobilização regional em torno da implantação de um terminal rodoferroviário em Vacaria.
“Diria que a própria sobrevivência das nossas empresas depende da concessão da malha ferroviária que virá. É fundamental termos um modelo rodoferroviário”, declarou.
Proposta prevê corredor ferroviário até o Porto de Rio Grande
O secretário estadual de Logística e Transportes, Clóvis Magalhães, defendeu que as necessidades do Rio Grande do Sul sejam consideradas na elaboração do novo edital. Segundo ele, há um entendimento de que a concessão deve contemplar diferentes setores produtivos e integrar os modais de transporte.
Durante o painel, o secretário apresentou uma proposta chamada Corredor Rio Grande Estruturante, dividida em quatro fases. A primeira prevê a retomada da ligação ferroviária entre municípios como Passo Fundo, Cruz Alta, Santa Maria, Cacequi e São Gabriel e o Porto de Rio Grande. As etapas seguintes contemplariam outras regiões do Estado e a conexão com o Mercosul.
O planejamento considera os volumes de carga transportados em 2011, ano em que a rede ferroviária alcançou o maior movimento da série histórica de 2006 a 2025.
De acordo com Magalhães, o potencial nominal de transporte interestadual do modelo apresentado chegaria a 7,2 milhões de toneladas, enquanto a proposta do governo federal prevê capacidade de 3,9 milhões de toneladas.
Debate reuniu entidades empresariais
O painel foi realizado no Espaço Conhecimento da Mercopar, com correalização do MobiCaxias, Amesne, Bento+20, Simecs, CICS Serra, Cisga, Movergs e CIC Caxias. A jornalista Giane Guerra mediou os debates.
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