Antônio Braga: "É de dar dó à paisagem."
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06.06.2022 - 08h21min
A criatura que sai à rua dá de cara com marotas maçarocas. E feias. Elas estão na rua, na esquina, na praça! No bairro. No Centro. Elas estão no ar. Elas estão nos postes. Em toda a cidade. Ou cidades. Sem elas, contudo, ninguém vive. Ou imagina que não! E quem for contra este modo de vida será enquadrado como agente do atraso. Essa, todavia, é outra maçaroca. A maçaroca que interessa aqui, agora, são os emaranhados nos postes que cortam a paisagem aérea urbana com toneladas e quilômetros de fios e de cabos que alimentam as comunicações. E, claro, por onde passam milhões de lucros. E oferecem perigo! Ah, tem também os cabos de energia elétrica.
É de dar dó à paisagem. E de dar medo às pessoas mais atiladas. Afinal, tem fios pendurados até o chão, sem contar postes inclinados em meio à tanta carga de peso. Todavia, à maioria da população, parece, as maçarocas passam despercebidas. Talvez o dia em que um vento mais rebelde derrube um desses postes, essa parcela se dê conta do tamanho da maçaroca a que está submetida. Aliás, são fartas as notícias sobre dias e dias, no Estado, em que usuários reclamam um mínimo para sobrevivência: energia elétrica. É só esperar o próximo vento adverso. Onde estarão as concessionárias? Quem são os seus donos? Onde estão? Eles estão nas bolsas de valores de Nova Iorque, de Londres. Mundo afora!
Por falar em perigo, ainda que não haja um laudo que relacione o vento ao fato, na rua Jacob Luchesi, no bairro Santa Catarina, em Caxias do Sul, no dia 28 de abril passado, houve a queda de um poste, produzindo sérios ferimentos em uma jovem de 17 de anos. Não há registro meteorológico, indicando severo fenômeno climático a ponto de tal tragédia. Houve apenas um vento um pouco mais forte, algo comum em meio a uma chuva forte. A repercussão do evento, todavia, não teve a amplitude necessária, visto que o poste não atingiu órgão fatal da inocente vítima.
O episódio deveria, sim, servir de alerta ao perigo que ronda a população, demandando serviços preventivos de manutenção, além de corrigir o aspecto visual. Aliás, quando o serviço de energia elétrica era estatal, em meados da década de 1980, Caxias do Sul viu a velha CEEE realizar um dia inteiro, no município, de trabalho preventivo, com substituição de redes e de postes para evitar eventuais tragédias. Um nome deve ser lembrado: Djacir de Queirós. Ele era gerente da CEEE. Aquele era um tempo em que os serviços públicos tinham endereço, nome, sobrenome, CPF, RG.
Enfim, houve avanço tecnológico sem o qual as pessoas não vivem, mas a contrapartida não avançou em termos de CPF sobre o responsável pelas maçarocas modernas. Por falar em modernidade, os postes já tiveram outra utilidade, além de intercorrência canina. Eles serviram de suporte para propaganda eleitoral. Entretanto, arautos de estética urbana bradavam contra porque aquilo "enfeiava" as cidades. Todavia, quanto às atuais maçarocas não há coro entre os "esteticistas" denunciando a feiura aérea, e, muitos menos, não há registros de entidades e de órgãos públicos que cuidam da segurança da população de cobrança contra as concessionárias de serviços dessa natureza.
Antônio Braga
Jornalista
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