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Crônica

Minha Caxias e seus horizontes

Antônio Braga,

Jornalista - Redação

redacao@serraempauta.com.br

Andréia Copini/Divulgação
Foto Principal - Notícia

Neste 20 de junho transcorre o Dia do Município de Caxias do Sul. É bucólico imaginar o Campo dos Bugres. Esse foi o seu nome inicial, que passou depois à Colônia Caxias, à Sede Dante e à Santa Teresa de Caxias. É difícil imaginar, também, Caxias antes do trem, em 1910; da BR-116, em 1954; da Metalúrgica Eberle, em 1896. É que a minha Caxias do Sul é bem mais nova. A minha tinha 220 mil habitantes. Hoje são mais de 500 mil.

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A Caxias do Sul que me acolheu, em 1977, tinha filigranas fascinantes. Ela ainda tinha anteneiros, engraxates, alfaiates, sapateiros. Ela tinha roseiras na praça Dante Alighieri. Lindas rosas. Eu gosto de rosa! A praça se chamava Rui Barbosa em decorrência da II Guerra. Os espigões já eram realidade. A desnucleação da cidade, com novos centros urbanos e, também, com altos edifícios, veio depois. O CTG Rincão da Lealdade recebia caravanas de turistas de toda parte. Era top!

"Bah, não dá para esquecer o pinga-fogo sobre o fechamento dos mercados aos domingos pela manhã. A Câmara Municipal retumbava a contenda".

Essa Caxias gerava bons embates políticos. E sofria falta d'água. Os caxienses sabiam de cor e salteado que a pouca água vinha das represas São Pedro, São Paulo e São Miguel. Esse sistema iniciado na era das Intendências estava esgotado. Banho? As canequinhas eram muito úteis. A angústia opunha os que queriam entregar o Samae à Corsan e os que teimavam em represar o Arroio Faxinal. O martelo, enfim, foi batido. E o Samae garantiu a parada.

Bah, não dá para esquecer o pinga-fogo sobre o fechamento dos mercados aos domingos pela manhã. A Câmara Municipal retumbava a contenda. O Calcagnotto e o Cesa eram os top! Também era top a Lojas Alfred. E a vitrine do Fedrizzi dava um tchan ao Centro! A Câmara, igualmente, gerava tópicos interessantes. Em votação sobre a concessão do título de Cidadão Caxiense a Nestor Rizzo, a colenda rejeitou o projeto. Era a segunda vez em que Rizzo perdia a homenagem. A outra havia sido em 1972. Rizzo, homem do rádio e da tevê, precisava de 10 dos 15 votos. Patinou nos 9!

Outra coisa que era top, entre os notívagos, era a Boca D'oro, boate que, depois, pegou fogo no bairro Panazzolo. Um pouco mais tarde veio a Incitatus! O Cine Ópera ainda estava em pé. O Real e o Imperial, bem como o Guarany, ainda respiravam.

Aquela Caxias de 1977 e de anos seguintes contava com um batalhão de polícia militar, o 12º, e um grupamento de bombeiro. A Polícia Civil dispunha da 1ª Delegacia, da 2ª, da de Tóxicos e Costumes e a de Trânsito. A bandidagem se pelava de medo da 2ª que cuidava de furtos, roubos e capturas. Acho que não era real, mas a fama que corria era a de que quem "caísse" na 2ª levava uns croques.

Em termos de visual, aquela Caxias, que entrara na era dos espigões, com o Parque do Sol, o Jotacê, o Estrela, mostrava em sua paisagem as antenas de tevê nas casas. Nos bairros. No Centro. Em toda parte. Anteneiro era uma profissão de ouro. As parabólicas vieram depois, bordando o horizonte até nas favelas. Esse bordado, hoje, foi trocado pelas marotas maçarocas de fios e cabos nos postes da cidade. Os horizontes, enfim, eram marcantes.

Junto com os anteneiros, se foi a profissão de engraxate, de alfaiate e de sapateiro. Há ainda alguns sapateiros que dão trato a sapatos, mas com nomes mais modernos tipo "clínica do sapato".

Enfim, se até os tradicionais espelhos externos da Óptica Caxiense sumiram do Centro, é natural que Caxias do Sul esteja em outro patamar. Ah, os espelhos eram importantes para um soslaio em bigodes ou em silhuetas femininas. Aliás, hoje, a cidade parece estar sem espelhos para se enxergar. Até a rosa dos ventos sumiu da praça Dante. É certo que os tempos são de GPS, mas não custaria nada, simbolicamente, a cidade ter um norte a partir da rosa dos ventos. Volta, rosa! E um espelho, também!

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