Jeanine Pacholski, vice-presidente da Parceiros Voluntários Caxias do Sul
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27.04.2026 - 09h24min
Anualmente, milhares de contribuintes de Caxias do Sul acertam as contas com o Leão. Em meio a dúvidas e prazos, pouca gente sabe que parte do valor pago à União poderia ter um destino muito mais próximo e transformador.
A legislação possibilita direcionar, no mês de dezembro, até 6% do Imposto de Renda (IR) devido ou até 3% diretamente na declaração a fundos de amparo à infância, à adolescência e à pessoa idosa. Na prática, o montante pode ser destinado a ações que atuam diretamente na comunidade, com impacto concreto na vida de quem mais precisa.
A adesão, porém, ainda é baixa. O resultado é uma perda silenciosa: recursos que poderiam fortalecer projetos nos municípios acabam no caixa geral, sem vínculo com a realidade local. Segundo o Grupo de Trabalho por Caxias (GTC), o município deixa de arrecadar R$ 37 milhões por ano para iniciativas sociais por meio da destinação do IR.
E não se trata de um detalhe pequeno. Para muitas organizações, esses valores representam a diferença entre manter ou encerrar atividades, ampliar ou restringir atendimentos. São programas que, muitas vezes, suprem lacunas que o poder público não consegue preencher sozinho e que dependem diretamente desse tipo de recurso.
Há um paradoxo evidente. De um lado, um município reconhecido pela sua força econômica. De outro, um mecanismo simples, legal e sem custo adicional ainda pouco utilizado. Falta informação, mas também percepção de impacto e senso de pertencimento.
Direcionar parte do Imposto de Renda não é uma doação tradicional, pois não há gasto extra. Trata-se de escolher o caminho de um recurso que já seria pago. Ou seja, é um ato que transforma compromisso fiscal em cidadania e desenvolvimento social.
Diante do debate sobre o uso eficiente de recursos públicos, essa é uma rara oportunidade de participação direta. A população deixa de ser espectadora e passa a influenciar o destino do dinheiro.
Caxias do Sul e seus contribuintes têm potencial para fazer mais. Há projetos e há demanda social, falta apenas conectar esses pontos. Afinal, não se trata apenas de pagar imposto, mas de decidir como ele pode ser efetivamente utilizado.
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