Trabalho do artista chega às plataformas digitais com roteiro marcado por belezas da introspecção
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10.04.2026 - 09h38min
O cantor e compositor caxiense Henrique Tibola estreia, nesta sexta-feira (10) seu disco homônimo. No primeiro álbum de estúdio da carreira, o público recebe um convite para adentrar no infinito particular das paixões.
Com composições autorais, o material propõe ao ouvinte em suas letras e arranjos um mergulho nesse universo que une amor e ausência. Ao longo de 8 faixas, a obra se revela como um exercício cuidadosamente construído para traduzir a ternura e a dor que coexistem na solitude. Clique aqui, dê o play e ouça o disco na íntegra!
O músico se volta para o exercício de expressar percepções internas, refletindo o agridoce dos sentidos. Por isso, toma entre seus referentes contemporâneos a poesia de Tim Bernardes e as leituras psicanalíticas de Ana Suy, autora de “A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão”.
“Fiz tudo que eu pude para lidar com a minha solidão e, no final das contas, acho que é o que temos de mais diferente e singular. Deixei essa peculiaridade individual transparecer nas letras, nas harmonias, no jeito de cantar, que é solar. Onde mais ela quisesse”, diz o cantor.
Antes de ter acesso à obra completa, cuja produção, mixagem e engenharia de som são de Ricardo Mabilia, o público pode conhecer quatro singles — Chuva Vai, Desaguar, Ao Redor do Mundo e Meu Amor Por Ti. Somadas às inéditas, todas as 8 faixas tecem, uma vez combinados seus títulos, um novo poema.
Concebidos entre dois estúdios e a casa do próprio autor ao longo do ano de 2025, os registros se guiam pela matéria humana ao transitar entre três temas centrais da existência, o amor, a solidão e a memória.
A canção de abertura, por exemplo, parte de um luto provocado pela perda do amor. Entre os pingos de chuva que se materializam a partir de um piano Rhodes, já no encerramento, a melodia evoca um choro que ao mesmo tempo encerra a angústia e a transforma em narrativa, em tópico de elaboração.
Desaguar, que vem na sequência, leva Tibola a revisitar escritos da última década a partir de arranjos intimistas de violoncelo, uma construção melódica que vai, pouco a pouco, desembocando em contrastes mais do que emocionais. São eles também temporais.
Em Insensatez, música que chega de forma crua e amparada por duas notas, reina a indecisão do sujeito em um discurso que encontra eco nas reflexões sobre escolhas propostas em leituras como a Divina Comédia, do italiano Dante Alighieri.
De um Sonho contemplativo e que se acende como esperança, o disco passa a conduzir o ouvinte por um caminho cada vez mais aberto e altivo. Assim é que surgem as faixas Grão, registro mais pop do percurso, e Ao Redor do Mundo. Nesta canção onírica e apaixonada, voz e piano se mesclam dando a atenção necessária para que o amor volte a acontecer.
O percurso evolui ainda mais em direção à leveza, culminando em Meu Amor Por Ti, uma promessa contra o desamparo, capaz de ampliar a temática do amor.
Em síntese, a jornada proposta no disco homônimo de Henrique Tibola, como se percebe ao fim da escuta, é encontrar a força necessária para brotar. Munido de seus instrumentos, o autor, por fim, encontra a própria primavera.
Dá para ouvir o som do Henrique nas diversas plataformas digitais, só clicar aqui.
Trajetória
Ainda na adolescência, Henrique Tibola começou a tocar em bares e restaurantes de Caxias do Sul, tanto como sideman quanto integrante das bandas Morangotango e Maria Jam.
Além de lecionar guitarra, aos 18 anos, já se apresentava em casas como o Mississippi Delta Blues Bar e a Paralela, famosas na cidade. Foi o pontapé necessário para chegar a palcos maiores, como o do Mississippi Delta Blues Festival, evento local, ou mesmo estrangeiros.
Durante um intercâmbio que realizou na Universidade de Coimbra, em Portugal, integrou-se rapidamente à cena musical do país e começou a participar das chamadas Rosegate Sessions, no tradicional bar Liquidâmbar.
De volta ao Brasil, inspirado por essa experiência coletiva, passou a organizar, ao lado de Chico Algo, da banda Catavento, uma jam session quinzenal no Reffugio Bar, também em Caxias. A iniciativa, que busca fortalecer a cena autoral da cidade, serviu-lhe como impulso para convites, como a abertura do show da banda Exclusive os Cabides, além de amadurecer as faixas de seu LP de estreia, cujo primeiro single, Chuva Vai, chegou em outubro de 2025.
Atualmente, além de construir a própria carreira solo, participa de apresentações como músico de apoio da cantora ninamarina.
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