Proposta prevê pagamentos em três etapas; Município estima déficit de R$ 235 milhões neste ano
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08.07.2026 - 16h59min
A Prefeitura de Caxias do Sul estuda a possibilidade de atrasar e parcelar os salários dos servidores públicos municipais nos próximos meses. Atualmente, os vencimentos são pagos no último dia de cada mês.
A Secretaria de Gestão Estratégica e Finanças solicitou à Secretaria de Administração, Tecnologia e Inovação um estudo de viabilidade sobre a medida. O ofício também apresenta uma proposta para que os salários sejam pagos de forma escalonada, em três etapas.
Pela sugestão, os servidores com remuneração de até R$ 8 mil receberiam o salário integral no quinto dia útil do mês seguinte. Na mesma data, quem ganha acima desse valor receberia uma primeira parcela de R$ 8 mil.
No 10º dia útil, seria pago o saldo restante aos servidores com remuneração entre R$ 8 mil e R$ 16 mil. Para quem recebe acima de R$ 16 mil, o pagamento seria complementado até esse limite. O saldo restante dos salários superiores a R$ 16 mil seria quitado até o último dia útil do mês.
A informação foi confirmada pelo secretário da Receita Municipal, Micael Meurer, em reportagem publicada pelo jornal Pioneiro nesta quarta-feira (8).
Meurer também reconheceu que a Prefeitura está atrasando o pagamento de fornecedores. Além do prazo habitual de 30 dias, a administração municipal leva atualmente mais 15 dias para quitar os compromissos.
O déficit estimado nas contas do Município para este ano é de R$ 235 milhões.
Sindiserv critica proposta
Após a divulgação da informação, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Caxias do Sul (Sindiserv) divulgou uma nota contra a possibilidade de atraso e parcelamento dos salários.
A entidade classificou a medida como "inaceitável" e afirmou que os servidores não podem arcar com as consequências da situação financeira do Município.
"O pagamento em dia é um direito garantido e uma obrigação da administração pública, não podendo os trabalhadores arcar com as consequências de escolhas políticas equivocadas", diz a nota do Sindicato.
Segundo o Sindiserv, as despesas com a folha de pagamento estão em torno de 45%, dentro dos limites legais. A entidade afirma que os salários dos servidores não são responsáveis pelas dificuldades financeiras enfrentadas pela Prefeitura.
O Sindicato atribuiu o cenário atual a decisões políticas tomadas nos últimos anos e à falta de planejamento de médio e longo prazo. A entidade também citou contratos de grande impacto financeiro, como as parcerias público-privadas (PPPs), como um dos fatores que, na avaliação do Sindiserv, contribuíram para a situação das contas municipais.
Sindicato cobra corte de gastos
Antes de qualquer medida que afete os salários, o Sindiserv defende a redução de cargos comissionados (CCs), a revisão de contratos, o reparcelamento de dívidas, a reorganização do cronograma de despesas e o corte de gastos.
A entidade afirmou ainda que os servidores garantem o funcionamento de serviços públicos nas áreas de educação, saúde, assistência social, segurança e obras.
"Direito dos servidores não pode ser tratado como variável de ajuste das contas públicas", diz a nota.
O Sindiserv informou que continuará acompanhando a situação financeira do Município e cobrando transparência, responsabilidade na gestão dos recursos e o pagamento integral dos salários dentro do prazo.
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