Iniciativa promove oficinas acessíveis com experiência de criação, empreendedorismo e autonomia
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23.09.2026 - 12h11min
Cordões, nós e criatividade têm servido como ponto de partida para novas possibilidades em Caxias do Sul. O projeto cultural “Tramando Caminhos: entre nós, o macramê e a inclusão” entra em uma nova etapa neste mês, ampliando suas ações para a comunidade escolar e avançando na criação de uma marca coletiva desenvolvida por adolescentes participantes das oficinas.
Neste sábado (26), a iniciativa promove duas oficinas gratuitas e acessíveis de macramê na Escola Municipal Especial de Ensino Fundamental Helen Keller, como ação de contrapartida do projeto. A atividade ocorre no turno da manhã, em uma programação alusiva ao Dia do Surdo.
O projeto utiliza o macramê como ferramenta de formação, autonomia, inclusão e desenvolvimento de possibilidades de geração de renda.
De aluna a monitora
Um dos momentos simbólicos da atividade na Helen Keller será protagonizado por Anna Clara Santos Nascimento, aluna da instituição e participante das oficinas realizadas na Casa Anjos Voluntários.
Depois de três anos aprendendo macramê com a oficineira Manuela Rosa, Anna Clara assume uma nova função no projeto: auxiliar outros estudantes durante o aprendizado dos nós e das técnicas artesanais.
A mudança de posição, de aprendiz para alguém que também compartilha o que aprendeu, representa uma das propostas centrais da iniciativa. As oficinas contarão ainda com o suporte comunicacional de intérprete de Libras, ampliando as condições de acessibilidade e participação dos estudantes.
Conhecimento que vira produto
Enquanto as ações chegam à Helen Keller, o núcleo principal do projeto, formado por jovens de 12 a 15 anos da Casa Anjos Voluntários, avança para outra etapa: transformar o conhecimento adquirido nas oficinas em produtos desenvolvidos coletivamente.
Ao longo dos encontros, os participantes não aprendem apenas técnicas de macramê. A formação também aborda temas relacionados à construção de marca, qualidade, percepção de valor, produção, precificação e comercialização.
A ideia é ampliar a compreensão dos jovens sobre todas as etapas que envolvem um produto artesanal, desde sua criação até o momento em que chega ao consumidor.
Como parte dessa formação, a convidada Florencia Del Carmen Nieto, da Lynch Gestão e Inovação Ltda., ministrará uma aula especial sobre precificação e empreendedorismo na prática.
Durante as atividades do segundo semestre, os jovens conheceram a identidade visual e as etiquetas da marca coletiva Tramando Caminhos e passaram a discutir quais produtos poderiam integrar a primeira coleção. Em um processo de votação, a turma escolheu quatro itens: painel de macramê, alça de celular, hanger para plantas e saída de praia.
As peças estão em fase de desenvolvimento e produção pelos próprios participantes e serão comercializadas em uma feira aberta à comunidade, prevista para os próximos meses.
O destino dos recursos arrecadados também será definido coletivamente pela turma, transformando a organização da feira em mais uma oportunidade de aprendizado sobre gestão, tomada de decisões e empreendedorismo.
Para a artista têxtil, arquiteta e produtora cultural Manuela Rosa, idealizadora do projeto, a trajetória de Anna Clara sintetiza uma das transformações buscadas pelo “Tramando Caminhos”.
“Ver a Anna Clara, que começou participando das oficinas há anos, agora assumir o papel de monitora dentro da própria escola é muito significativo para mim. Isso mostra que o aprendizado não termina quando alguém consegue fazer um nó. Quando esse aluno passa a ensinar outra pessoa, a escolher o que quer produzir, a pensar no valor do que faz e a perceber que aquilo que criou também é reconhecido por outras pessoas, ele começa a ocupar outro lugar dentro do processo.”
O próprio nome Tramando Caminhos traduz a proposta do projeto: utilizar o fazer artesanal como instrumento para abrir caminhos de criação, autonomia e novas perspectivas.
A iniciativa prevê 40 encontros de aperfeiçoamento técnico e empreendedorismo artesanal com adolescentes da Casa Anjos Voluntários. A formação reúne diferentes profissionais e áreas de conhecimento, conectando produção artesanal, gestão, acessibilidade, comunicação e cultura.
Integram a equipe a oficineira Manuela Rosa (MR | Design Têxtil), a produtora cultural Flor Nieto (Lynch Gestão Cultural), a equipe de interpretação de Libras E Aí? Acessibilidade, Arte e Educação, a fotógrafa Liliane Giordano e a contadora Márcia Elisa Pezzi.
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