Quero estimular você a refletir sobre ousadia e exigir planos de longo prazo para o futuro da nossa cidade
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21.07.2026 - 15h00min
As últimas semanas movimentaram o noticiário político e econômico da nossa cidade. É verdade que a maioria das pessoas prefere não se envolver nesses temas espinhosos; outras acompanham tudo a partir de suas próprias bolhas, com pouca crítica e nenhum interesse real pelos assuntos. Muitas vezes querem apenas a polêmica.
Quando se fala em investimentos em cultura, algumas pessoas rapidamente lembram da Lei Rouanet ou direcionam críticas a artistas e emissoras de televisão. Uma grande injustiça, inclusive. A cultura é, antes de tudo, um patrimônio imaterial das nossas comunidades. É a partir dos significados que construímos em conjunto que nossas obras ganham valor e representatividade. E é justamente isso que gera riqueza e movimenta recursos.
No dia a dia, estamos diretamente conectados a patrimônios culturais e valorizamos isso. O cinema americano, por exemplo, ajudou a idealizar um país onde as coisas acontecem e a prosperidade parece possível — tanto que até os extraterrestres querem invadir seu espaço, ainda que essa prosperidade absoluta não seja realidade para todos os americanos. Os gregos possuem na arquitetura e na gastronomia um ativo turístico que mobiliza milhares de pessoas. Os chineses, por sua vez, transformaram os pandas em símbolo de uma cultura milenar e amigável. Já a Coreia do Sul fez do BTS um fenômeno global, capaz de influenciar o PIB do país a partir da mobilização de fãs em todo o planeta.
A globalização permite que a gente interaja com patrimônios culturais sem sair de casa, seja pelo streaming, pela culinária ou por tantas outras experiências. Mas você já parou para pensar no patrimônio cultural que você e a sua cidade estão construindo?
Ao visitar a Igreja de São Pelegrino e observar suas pinturas históricas, ou ao passar pelo Monumento do Imigrante, penso que minha geração tem deixado a desejar em relação ao próprio legado. É verdade que vivemos tempos de instabilidade e insegurança, mas será que atravessamos tempos mais difíceis do que aqueles que nos antecederam? Por que não produzimos mais arte? Por que não materializamos a nossa cultura em construções dignas da nossa comunidade?
A verdade é que não há unanimidade, mas versões que são cantaroladas e repetidas até que sejam assimiladas pela maior parte das pessoas. As narrativas são criadas desde que o mundo é mundo. Basta ver o final da Copa do Mundo da Fifa: em solo americano, artistas e crianças falavam sobre amor, ao mesmo tempo que os Estados Unidos são responsáveis por ataques armados em boa parte das guerras que presenciamos nesta geração.
De volta ao nosso território, parece que, além de uma crise financeira, estamos à beira de um colapso de valores. Mas, os cortes nos investimentos em cultura são mais um golpe para a nossa cidade. Uma cidade tão grande, tão próspera que não valoriza seus artistas, a cena cultural, certamente é uma cidade que vai adoecer de tristeza... A arte e a cultura são um respiro no cotidiano do trabalho. As empresas e seus líderes deveriam estimular o acesso e o consumo de arte, porque a criatividade é repertório para as futuras inovações.
A crise de valores que vivemos não está apenas nas decisões desesperadas dos gestores públicos, mas também na nossa incapacidade de brigar por mais e exigir qualidade, correção e investimentos de longo prazo. Falta ousadia para Caxias ser grande. Que a arte nos inspire a pensar no que queremos deixar como legado da nossa existência.
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