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Carta aberta

CIC Caxias cobra apuração rigorosa de fatos envolvendo o STF

Entidade defende transparência, controle e mudanças no modelo da Suprema Corte

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Fonte Normal
Jornalista - Redação

redacao@serraempauta.com.br

Júlio Soares/Objetiva/Divulgação
CIC Caxias cobra apuração rigorosa de fatos envolvendo o STF

A Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias) divulgou uma carta aberta à sociedade em que manifesta preocupação com os recentes acontecimentos envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e os desdobramentos das investigações relacionadas ao caso Banco Master.

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No documento, a entidade defende uma apuração rigorosa, independente e transparente dos fatos. Para a CIC Caxias, eventuais irregularidades envolvendo integrantes de instituições públicas devem ser investigadas sem corporativismo ou tratamento diferenciado.

A entidade afirma que nenhuma autoridade deve estar acima da lei e que o exercício de funções públicas de maior poder deve ser acompanhado de compromisso com legalidade, ética, transparência e prestação de contas.

CIC defende atuação do Congresso

Na avaliação da CIC Caxias, a independência entre os Poderes é fundamental para o Estado Democrático de Direito, mas não elimina mecanismos de fiscalização e responsabilização.

A entidade defende que o Congresso Nacional, especialmente o Senado Federal, exerça suas atribuições constitucionais no acompanhamento e na apuração de fatos que possam afetar a credibilidade das instituições e o equilíbrio entre os Poderes.

A carta também atribui ao próprio STF responsabilidade pela preservação de sua credibilidade institucional. Segundo a entidade caxiense, diante de denúncias ou fatos considerados graves envolvendo integrantes da Corte, a presidência e os órgãos colegiados devem adotar as medidas cabíveis para garantir o esclarecimento dos acontecimentos e evitar qualquer percepção de corporativismo.

Para a CIC, independência judicial não deve ser confundida com ausência de prestação de contas ou impossibilidade de questionamentos. A entidade afirma que integrantes da Corte também devem contribuir para a preservação da integridade institucional e para a manutenção da confiança da sociedade.

Entidade propõe mudanças no STF

A CIC Caxias também defende uma discussão mais ampla sobre o funcionamento do STF e seu modelo institucional.

Entre as propostas apresentadas está o aperfeiçoamento dos critérios de indicação e aprovação dos ministros do STF, com o objetivo de ampliar a transparência, a qualificação técnica e a independência do processo de escolha e reduzir, segundo a entidade, sua excessiva politização.

A entidade também defende a discussão sobre a adoção de mandatos com prazo determinado para ministros do Supremo, em substituição à permanência no cargo até a aposentadoria compulsória.

Outro ponto levantado na carta é o fortalecimento das regras de transparência e integridade, incluindo prevenção de conflitos de interesses, impedimento e suspeição, publicidade das agendas institucionais e prestação de contas dos integrantes das Cortes Superiores.

Segurança jurídica preocupa setor produtivo

A entidade afirma que a discussão ultrapassa os campos jurídico e político e tem impacto direto sobre empresas, trabalhadores, investidores e cidadãos.

Segundo a CIC Caxias, instituições previsíveis, confiáveis e transparentes são necessárias para garantir segurança jurídica. Na avaliação da entidade, a perda de confiança institucional pode afetar investimentos, geração de empregos e o desenvolvimento econômico e social.

"A CIC Caxias considera seu dever participar de forma ativa e responsável desse debate, defendendo instituições fortes e independentes, mas igualmente sujeitas a mecanismos efetivos de controle, transparência e responsabilização", afirma o documento.

A entidade diz que acompanhará os desdobramentos dos fatos e defenderá a adoção das medidas necessárias para o esclarecimento das denúncias. Também pretende estimular o debate sobre o aperfeiçoamento institucional do país.

A carta é assinada pelo presidente da CIC Caxias, Ubiratã Rezler, e pelos vice-presidentes Oliver Viezzer, da Indústria; Marcos Victorazzi, do Comércio; e André Zuco, dos Serviços.

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