Produção terá duas sessões na Sala de Cinema Ulysses Geremia, no Ordovás
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14.04.2026 - 10h02min
Para além dos 150 anos da imigração italiana que ocupou a Serra Gaúcha, as migrações seguem no mundo contemporâneo e Caxias do Sul continua recebendo migrantes de diferentes lugares. O documentário “Olha Eu Aqui! – Nordestinas na Serra Gaúcha” registra a presença feminina na cidade, contando histórias sobre mulheres que trocaram o Nordeste brasileiro pela região da uva e do vinho.
O documentário em curta-metragem estreia nesta quarta-feira (15), com sessões às 18h30 e 20h30, na Sala de Cinema Ulysses Geremia, no Centro de Cultura Henrique Ordovás Filho, em Caxias do Sul.
O documentário conta a história de cinco mulheres que vivem em Caxias e Bento Gonçalves: Antônia Silva de Jesus, baiana da cidade de Valença; Gilca Santana Pires, também baiana, de Santo Amaro da Purificação; Maria de Fátima da Silva, pernambucana de Vitória de Santo Antão; Rosilene das Chagas Rodrigues, nascida em Timon, no Maranhão; e Ticiane Freitas da Silva Gadelha, de Fortaleza, no Ceará.
Com seus sotaques e histórias, cada uma dessas mulheres fala da determinação de vencer na nova paisagem cultural que escolheram para viver.
Entre narrativas orais, revelações, desejos e conquistas, o filme também registra os movimentos migratórios que mobilizam sonhos e pessoas no Brasil e no mundo. Além destas cinco personagens, o filme também traz breves registros de outras dez nordestinas que vivem na região.
Além das narrativas pessoais, o curta também se insere no debate sobre as novas migrações que a Serra vem recebendo, contextualizando os enfrentamentos diante de preconceitos e, ao mesmo tempo, a adaptação dos novos migrantes ao jeito de viver na região.
O projeto do documentário é da historiadora Katani Monteiro a partir de pesquisas realizadas em parceria com a também historiadora Ana Paula de Almeida.
Katani conta que a ideia do documentário surgiu a partir de pesquisas que realizava enquanto pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Caxias do Sul, que focavam nas questões da cidade, das migrações e da diversidade cultural que decorre deste processo.
“Afinal, basta andar por Caxias, estando aberto a escutar ao redor, para notarmos diferentes sotaques e jeitos de ser e estar. A partir de entrevistas, um horizonte amplo envolvendo mulheres nordestinas atuando em diferentes espaços da cidade definiu os caminhos para um projeto de documentário que pudesse traduzir em trajetórias de vida, a diversidade e a dinâmica construção social que resulta dos deslocamentos humanos e que tem no protagonismo feminino a chave para esse entendimento”, diz Katani Monteiro.
A trilha sonora original de Beto Scopel traz ritmos e instrumentos da música nordestina e uma versão especial de “Mérica, Mérica”, verdadeiro hino da imigração na Serra.
“Fazer essa trilha foi um processo de escuta e encontro entre culturas. A ideia foi criar um diálogo musical entre o Nordeste do Brasil e o chamado ‘nordeste gaúcho’, onde essas histórias se cruzam. A concepção partiu do uso de instrumentos tradicionais nordestinos — como zabumba, triângulo, pandeiro e pife — somados a elementos que evocam a identidade da Serra, especialmente a gaita, um instrumento que, de certa forma, atravessa todo o Brasil e ajuda a unificar essas paisagens sonoras”, diz Scopel.
Ele afirma ainda que a música “Mérica Mérica” sintetiza bem essa proposta. Ela foi transformada em um coco, criando uma ambiguidade rítmica e cultural. O resultado soa ao mesmo tempo nordestino e serrano, como se as duas tradições conversassem naturalmente.
Para o roteirista e diretor do filme, Nivaldo Pereira, a produção dá voz às mulheres no contexto das migrações, descortinando um universo particular.
“Como também sou um migrante nordestino na Serra gaúcha, foi fácil explorar com as personagens do documentário os choques e assimilações culturais comuns a esse tipo de mudança. Mas descobri que uma história contada por mulheres sempre será diferente daquela contada por homens. Há mais profundidade e sutileza no olhar delas, há coisas que só elas valorizam e observam”, descreve.
Katani Monteiro destaca, ainda, que o formato de documentário se insere também numa perspectiva de novas estratégias de registro histórico:
“A opção pelo documentário como linguagem para essas trajetórias se apoia na perspectiva de uma história pública, na qual diferentes profissionais, cada um com sua expertise, num ato colaborativo, convergem para a publicização e sensibilização histórica destinada a um público mais amplo, para além do acadêmico. Importante destacar neste contexto o papel das políticas públicas de fomento à produção cultural”, expressa a produtora.
Produzido com recursos da edição estadual da Lei Paulo Gustavo, o curta convida o público a olhar e a escutar com mais sensibilidade para as histórias que, muitas vezes, passam despercebidas no dia a dia.
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