Livro “Só entre nós” conquistou reconhecimento na categoria Narrativa Longa
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28.10.2026 - 21h23min
A literatura de Caxias do Sul ganha mais um reconhecimento estadual. A escritora caxiense Maya Falks venceu o Prêmio Minuano de Literatura 2026 na categoria Narrativa Longa, com o romance Só entre nós, publicado pela Editora Reformatório. A premiação, promovida pela Secretaria da Cultura do Rio Grande do Sul (Sedac), por meio do Instituto Estadual do Livro (IEL), reconhece obras de autores nascidos ou residentes no Estado e valoriza a produção literária gaúcha.
A cerimônia de entrega dos prêmios está marcada para o dia 11 de novembro, na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre, durante a Feira do Livro da capital. Cada vencedor receberá um troféu e R$ 5 mil.
Ao celebrar a conquista, Maya destacou o significado de reconhecer os resultados de uma trajetória construída ao longo de anos de dedicação à literatura. Em uma manifestação nas redes sociais, a escritora relacionou a vitória a outras conquistas importantes de sua carreira, como o Prêmio Vivita Cartier, o patronato da Feira do Livro de Caxias do Sul e homenagens recebidas nos últimos anos.
“Agora é momento de baixar a guarda e reconhecer que isso que está acontecendo agora é colheita, é resultado do tanto que lutei a vida inteira para chegar até aqui”, escreveu.
A autora também ressaltou o caráter coletivo da caminhada literária e parabenizou as demais finalistas da categoria.
“É uma caminhada bonita. E bem acompanhada”, afirmou, agradecendo ao público que acompanha seu trabalho, ao Instituto Estadual do Livro, à Secretaria da Cultura e à comissão julgadora.
Romance aborda saúde mental e acolhimento
Em Só entre nós, a protagonista é Sara, uma jovem adulta que busca recuperar o equilíbrio emocional após a morte de Renan, seu melhor amigo, ainda na adolescência. Frequentadora de clínicas psiquiátricas, ela recebe um desafio terapêutico: escrever cartas que não serão enviadas, nas quais possa expressar suas dores sem censura.
A destinatária escolhida é Tati, sua paixão mal resolvida dos tempos de adolescência. Por meio dessas cartas, Sara compartilha angústias, revisita experiências e reflete sobre os tabus relacionados à saúde mental, especialmente entre os jovens, além de abordar o suicídio e a importância do acolhimento.
O romance começou a ser escrito em 2022, com o título Silenciados, e passou por três reescritas até chegar à versão definitiva. Publicado pela Editora Reformatório, de São Paulo, em 2025, o livro tem 168 páginas.
A capa, assim como nas obras Santuário (2020) e Pátria (2022), também foi ilustrada pela própria autora. A aquarela, em tons de vermelho e rosa, apresenta uma figura feminina difusa, sem rosto.
Por abordar questões delicadas sem se propor a ser um livro técnico sobre saúde mental, a obra também é acompanhada de uma cartilha com informações sobre como buscar ajuda especializada em situações de sofrimento psíquico.
Uma trajetória dedicada à literatura
Maya Falks escreve desde a infância. Aos três anos, começou a ditar histórias em quadrinhos para a mãe. Aos sete, passou a se dedicar à prosa e, aos dez, à poesia. Ainda adolescente, tentou publicar seus primeiros livros ao enviar cartas para grandes editoras brasileiras, mas não obteve sucesso naquele momento.
Sua estreia literária aconteceu em 2015, com o romance Depois de tudo. Desde então, publicou outros dez títulos: Histórias de minha morte (2017), Versos e outras insanidades (2017), Poemas para ler no front (2019), Santuário (2020), Eu também nasci sem asas (2020), Pedaços que vejo no espelho (2021), Já não somos os mesmos (2022), Pátria (2022) e Todo mundo gosta de sexo, eu nunca fui todo mundo (2023) e Só entre nós (2025).
Ao longo da carreira, a escritora conquistou mais de 30 prêmios literários, entre eles o Vivita Cartier, em 2021. Em 2022, também foi patrona da Feira do Livro de Caxias do Sul, uma das distinções de destaque em sua trajetória.
Prêmio reconhece seis obras gaúchas
Realizado desde 2018, o Prêmio Minuano de Literatura chegou à edição de 2026 com 440 obras inscritas, das quais 378 tiveram a inscrição homologada. As comissões avaliadoras foram formadas por três integrantes em cada uma das seis categorias.
Além de Só entre nós, de Maya Falks, foram premiadas as seguintes obras:
:: Narrativa Curta: O dedo do diabo, de Bruno Palavro
:: Poesia: Noite devorada, de Mar Becker
:: Infantil: Ótimo, Timóteo, de Eduardo Krause e Rodrigo Fischer
:: Juvenil: Vó Folhinha: colecionadora do tempo, de Fabiano Tadeu Grazioli e Eloar Guazzelli
:: Não Ficção: Pátria estrangeira, de Aidir Parizzi
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