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Cenário

Quarto mandato de Lula deve enfrentar maiores desafios fiscais e políticos

Leonardo Barreto analisou as perspectivas para 2027 durante reunião-almoço da CIC Caxias

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Fonte Normal
Jornalista - Redação

redacao@serraempauta.com.br

Júlio Soares/Objetiva/Divulgação
Cientista político Leonardo Barreto participa de reunião-almoço da CIC Caxias e apresenta análise sobre o cenário político e os desafios do governo para 2027.

O quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá ser o mais difícil de sua trajetória política. A avaliação é do cientista político Leonardo Barreto, doutor pela Universidade de Brasília (UnB) e sócio da consultoria de risco Think Policy. Durante reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias), nesta segunda-feira (26), ele apontou as restrições fiscais, a disputa por recursos públicos e a resistência do Congresso Nacional como alguns dos principais desafios do governo a partir de 2027.

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Com o tema “Cenário político e os desafios para 2027”, Barreto afirmou que a articulação política precisará começar imediatamente após a eleição, inclusive para viabilizar medidas ainda com a atual composição do Legislativo. Na avaliação do especialista, a próxima legislatura deverá impor obstáculos adicionais à agenda do Executivo.

“O governo Lula 4 se inicia logo depois da eleição. Provavelmente vai ser o governo mais difícil da vida do Lula”, afirmou.

Segundo Barreto, o principal desafio será compatibilizar os compromissos assumidos durante a campanha com a disponibilidade de recursos públicos. O cenário, conforme o cientista político, tende a ampliar a disputa entre Executivo e Legislativo pelo orçamento e exigir a reconstrução da confiança junto a setores que não apoiaram o presidente nas urnas.

Especialista analisa fatores da reeleição

Ao avaliar o resultado eleitoral, Barreto destacou três fatores que, em sua interpretação, contribuíram para a vitória de Lula: a ampliação de programas e benefícios anunciada durante a campanha, a estratégia de associar a candidatura à preservação de direitos sociais e a rejeição ao bolsonarismo entre eleitores que não tinham os dois candidatos como primeira opção.

O cientista político avaliou que Flávio Bolsonaro teria se aproximado de seu limite de apoio já no primeiro turno, enquanto Lula conseguiu conquistar votos de eleitores que inicialmente não demonstravam preferência por nenhum dos candidatos.

A transferência de votos de outros concorrentes, a redução dos votos brancos e nulos e o comparecimento de eleitores que haviam se abstido na primeira etapa da eleição também foram apontados como fatores que favoreceram o presidente reeleito.

Barreto ainda criticou o uso de medidas de estímulo econômico e benefícios públicos durante períodos eleitorais. Segundo ele, a prática, adotada por diferentes governos, pode ampliar as dificuldades de gestão após as eleições e comprometer a previsibilidade das contas públicas.

Na avaliação do especialista, a radicalização política também estimula o populismo econômico e afeta a confiança dos investidores. Como alternativa, ele defendeu mecanismos institucionais para limitar o uso de recursos públicos com objetivos eleitorais.

CIC Caxias manifesta preocupação com cenário fiscal

Na abertura da reunião-almoço, o presidente da CIC Caxias, Ubiratã Rezler, comentou o resultado das eleições e reafirmou o compromisso da entidade com as demandas do setor produtivo.

Rezler manifestou preocupação com o desequilíbrio fiscal, o crescimento dos gastos públicos, a carga tributária, a insegurança jurídica e a perda de competitividade das empresas brasileiras. Ele também ressaltou a necessidade de compatibilizar as promessas eleitorais com a capacidade financeira do Estado.

“O momento exige serenidade, articulação e trabalho”, afirmou.

O presidente defendeu o fortalecimento das empresas e de suas entidades representativas, além da manutenção do diálogo com os representantes eleitos para o Executivo e o Legislativo federais.

Entre as prioridades da CIC Caxias, citou a responsabilidade fiscal, a redução da carga tributária, os investimentos em infraestrutura, a qualificação profissional e a melhoria do ambiente de negócios.

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