Projeto de autoria de Mateus Bicca e Zeca Duarte conta com cinco músicas inéditas
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21.08.2026 - 11h40min
A banda Carta do Louco está de volta ao estúdio para dar continuidade a uma trajetória que começou em 2025. Formada pelos músicos caxienses Mateus Bicca e Zeca Duarte, a banda prepara um novo EP, com cinco músicas inéditas, previsto para chegar ao público no segundo semestre deste ano.
O trabalho marca uma nova etapa do projeto, que amplia sua proposta autoral ao reunir poesia, referências da música brasileira e diferentes influências sonoras.
As novas faixas estão sendo gravadas no Estúdio Retrola, em Caxias do Sul, comandado pelo músico e técnico de som Vini Lazzari.
Embora mantenha a MPB como uma de suas principais referências, o EP transita por diferentes sonoridades, dialogando com o pop brasileiro das décadas de 1970 e 1980 e incorporando elementos de samba, ijexá, bolero e até do funk norte-americano.
A diversidade de influências aparece na construção dos arranjos e na atmosfera das canções, sem afastar a banda de uma linguagem própria.
Um dos principais diferenciais do novo trabalho está justamente no processo de gravação. Em vez de registrar cada instrumento separadamente e construir as músicas posteriormente por meio de camadas, a Carta do Louco optou por reunir os músicos no estúdio para executar as bases instrumentais simultaneamente.
A escolha busca recuperar a espontaneidade e a interação presentes em gravações de grandes discos da música brasileira.
“A gente gosta de preparar muito bem os arranjos, ensaiar bastante e registrar a banda tocando ao mesmo tempo. É uma forma de trabalhar inspirada na maneira como muitos discos clássicos foram gravados. Quando todos estão juntos, existe uma troca muito grande entre os músicos, e isso aparece naturalmente na música”, explica Zeca Duarte.
As gravações instrumentais já foram concluídas e o projeto agora avança para o registro das vozes. Parte dos intérpretes que participaram do primeiro lançamento retorna ao novo trabalho, que também terá participações especiais.
Entre as novidades estão cantoras convidadas, cujos nomes ainda não foram revelados e devem ser anunciados somente próximo ao lançamento.
Entre o Tarô e a liberdade
Na dimensão poética, Mateus Bicca permanece à frente das composições que ajudam a construir o universo conceitual da Carta do Louco. As novas letras preservam o caráter reflexivo apresentado desde o início do projeto e incorporam referências ao Tarô, à cultura brasileira e ao imaginário pop.
A proposta é criar canções abertas a diferentes interpretações, nas quais o ouvinte possa encontrar significados próprios.
“As letras sempre trazem uma reflexão sobre a forma como a sociedade tenta enquadrar as pessoas em padrões. A figura do louco, para nós, representa justamente quem tem coragem de seguir o próprio caminho, sem ser guiado pelo medo ou pela necessidade de corresponder às expectativas dos outros. No fundo, é um convite para que cada um encontre sua própria verdade e viva com mais consciência e liberdade”, contextualiza Bicca.
O título do EP ainda não foi divulgado oficialmente, mas o conceito do trabalho se relaciona à ideia de jornada, tema que conversa diretamente com o simbolismo da Carta do Louco e com a própria origem do nome do projeto.
A noção de percurso também aparece na maneira colaborativa de produção. Desde o início, a proposta da dupla é reunir músicos convidados de diferentes trajetórias para participar das gravações e contribuir para a construção de cada obra.
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