A canção mergulha no acirramento ideológico, na alienação e no caos cotidiano
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12.08.2026 - 13h09min
Depois de apresentar ao público “Bandeiras na Gaveta”, primeiro single do projeto que dará origem ao álbum “Flores Mágicas”, previsto para o final de 2026, o músico e compositor Jefe Rodrigues lança agora a música “Cartão-postal sem cor”.
A nova faixa chega às plataformas digitais propondo uma viagem por uma paisagem urbana marcada pela desilusão, pelo acirramento ideológico e pela alienação, mas também pela força da poesia e do processo criativo. Clique aqui e ouça o novo som.
Em tons de cinza e com uma atmosfera simultaneamente soturna e luminosa, a canção constrói seu significado a partir do contraste entre o mundo exterior e a dimensão interior do artista. Enquanto as ruas aparecem como cenário de caos e desencanto, a criação surge como possibilidade de mergulho, reflexão e transformação.
A interpretação de Jefe Rodrigues reforça essa dualidade. Sua voz, de timbre cortante, conduz a narrativa enquanto os violões de seis e 12 cordas sustentam a canção e estabelecem seu ritmo.
A bateria de Claiton Lize acrescenta à faixa um balanço latino-psicodélico, enquanto Luciano Albo assume o baixo e participa da produção ao lado de Jefe e Claiton.
O arranjo ganha uma dimensão particular com a participação do acordeonista Diego Dias, da banda Vera Loca. Seu instrumento acrescenta sofisticação e personalidade à composição, criando uma mistura pouco convencional que Jefe Rodrigues define como um “psico-pop-tango-gauchesco”.
A construção sonora encontra seu ápice no encerramento da faixa, marcado pela repetição hipnótica do verso “Eu ando pelas ruas num cartão-postal sem cor”. A frase permanece como uma espécie de eco, remetendo aos passos de quem atravessa solitariamente as ruas de uma cidade fria, observando uma paisagem que perdeu suas cores.
Uma trajetória entre diferentes cidades e linguagens
Natural de Erechim, Jefe Rodrigues construiu sua trajetória artística entre diferentes cidades e experiências. O próprio músico brinca que já “foi” de Caruaru (PE), Passo Fundo, Chapecó (SC) e, atualmente, Caxias do Sul.
Formado em Artes Visuais pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Jefe encontrou no curso ferramentas para compreender melhor a arte e os processos criativos, tanto nas linguagens visuais quanto na música.
Sua trajetória musical começou com a banda Os Extra Velhos, formada em Erechim, da qual participou entre 2009 e 2014. O grupo lançou, em 2014, o disco “O Quarto da Raposa”, seu primeiro e único álbum. No mesmo período, Jefe mudou-se para Caruaru, onde iniciou a carreira solo e entrou em contato com novas experiências e composições.
Em 2015, retornou ao Rio Grande do Sul para morar em Passo Fundo. Na cidade, formou a dupla “A Dama e o Vagabundo”, dedicada a versões de clássicos do rock em uma formação de voz, violão e violino. Foi também nesse período que compôs parte das músicas que posteriormente integrariam seu primeiro trabalho solo.
Já na Serra Gaúcha, no início de 2019, recebeu o convite para integrar a banda Revolution, dedicada a covers dos Beatles. O grupo interrompeu as atividades após o início da pandemia, período em que Jefe passou a investir ainda mais na produção autoral.
O resultado foi o EP “Jefe Rodrigues”, gravado artesanalmente em seu home studio, em Caxias do Sul. A partir de 2022, o músico iniciou a composição e os arranjos das canções que dariam origem ao álbum “Verde Ácido”, lançado em agosto de 2023.
Para a gravação do disco, Jefe contou com o Trio em Transe, formado por Claiton Lize, Pedro Strasser e Luciano Albo. O trabalho foi registrado no Estúdio Cegonha, em Porto Alegre.
Foi no mesmo estúdio que, em 2025, o artista gravou “Bandeiras na Gaveta”, faixa que inaugurou o ciclo de “Flores Mágicas”.
Agora, com “Cartão-postal sem cor”, Jefe Rodrigues amplia esse universo e reafirma uma produção autoral marcada pela experimentação, pela poesia e pelo diálogo entre diferentes referências musicais.
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