Projeto revisita história de protagonista na consolidação do ensino artístico na cidade
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10.03.2026 - 10h22min
Nesta quinta-feira (12), às 19h, a Galeria de Arte do Bloco J da Universidade de Caxias do Sul recebe o lançamento do livro “Elyr Ramos Rodrigues e a Escola de Belas Artes”, publicado pela Editora Desdobra, com pesquisa e texto de Marcos Mantovani. Na mesma noite e local, será aberta a exposição “Elyr: Onde a Arte Floresceu”, com visitação gratuita até 2 de abril, das 9h às 22h.
Mais do que um resgate biográfico, o projeto propõe uma reflexão sobre a formação cultural de Caxias do Sul e o papel da educação artística na construção da identidade da cidade.
Nascida em 18 de dezembro de 1918, em São Marcos, e falecida em 4 de dezembro de 2002, em Caxias do Sul, Elyr Ramos Rodrigues foi artista, professora e gestora cultural. Sua atuação foi decisiva para a consolidação do ensino artístico no município em um período de intensas transformações sociais e econômicas.
Elyr esteve à frente da Escola Municipal de Belas Artes (EMBA), conduzindo sua organização pedagógica e institucional. Posteriormente, teve papel fundamental na transição da escola para o Curso de Artes da UCS, movimento que consolidou o ensino superior na área e ampliou o alcance da formação artística na região.
Ao estruturar currículos, organizar metodologias e formar professores e artistas, Elyr contribuiu diretamente para a profissionalização das artes em Caxias do Sul, transformando iniciativas isoladas em um sistema educacional consistente.
Para Mantovani, Elyr foi uma figura decisiva na modernização do ensino artístico em Caxias do Sul.
“Nos corredores da Escola Municipal de Belas Artes, ela era vista como uma divulgadora de novidades. Trazia novos conceitos, tendências e referências, fruto de sua formação em Porto Alegre e de viagens a centros culturais do país”, afirma.
Conforme ele, a pesquisa também revelou aspectos pouco documentados da trajetória da educadora.
“Conversar com pessoas que conviveram com Elyr foi fundamental para compreender a mulher talentosa e forte que ela foi. Caxias do Sul precisa conhecer melhor uma das principais difusoras da arte que já teve”, destaca.
Patrimônio cultural e memória coletiva
A exposição “Elyr: Onde a Arte Floresceu”, com curadoria de Ademar Sebben e Paula Ramos, amplia essa narrativa ao apresentar três dimensões de sua trajetória: obra, vida e legado. Reunindo fotografias, documentos históricos, objetos pessoais e pinturas produzidas por Elyr, a mostra evidencia não apenas sua produção artística, mas seu impacto na formação cultural da cidade.
Para o produtor cultural Adriano Richard, o livro resulta de uma pesquisa sobre “essa importante gestora, diretora, mulher e pintora da cena caxiense”, cujo protagonismo foi decisivo para a consolidação de espaços e políticas de ensino artístico.
O resgate partiu da iniciativa de Paula Ramos, integrante da família, com o objetivo de homenagear uma trajetória que, apesar de sua relevância, acabou sendo pouco lembrada ao longo dos anos, ausência simbólica que o projeto busca reparar.
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