Mostras de Renato Medeiros e de Julia Mareco convidam o público a refletir sobre memória, território e resistência
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16.07.2026 - 12h18min
Há exposições que se limitam a ocupar um espaço. Outras transformam o espaço em pergunta. É nesse território de inquietações e descobertas que o Centro de Cultura Ordovás recebe, a partir desta quinta-feira (16), duas mostras que chegam para provocar o olhar e expandir os sentidos: “Clepsidra”, do artista visual Renato Medeiros, e “Zona Plástica”, da artista paulista Julia Mareco.
As duas exposições, selecionadas pelos editais de ocupação dos espaços expositivos do Ordovás, apresentam pesquisas artísticas que atravessam temas como memória, paisagem, matéria, limites físicos e relações de poder.
Na Sala de Exposições, às 18h30, abre ao público “Clepsidra”, primeira exposição de Renato Medeiros no Rio Grande do Sul. Natural de Maceió (AL) e atualmente radicado em Santo André (SP), o artista apresenta uma série inédita de gravuras produzidas especialmente para o projeto, além de pinturas, fotografias e uma instalação que sintetizam pesquisas desenvolvidas nos últimos anos.
O título da mostra remete ao antigo relógio de água utilizado para medir a passagem do tempo. A clepsidra surge como metáfora para as tentativas humanas de controlar aquilo que, por natureza, escapa ao controle.
Em sua produção, Renato investiga justamente essas tensões: entre ordem e desordem, escassez e abundância, interior e exterior, permanência e transformação.
Com curadoria de Gabriel Babolim, a exposição está organizada em quatro núcleos (Cosmogonias, Arquipélago, Caça-Palavras e Miragem) reunindo ilhas imaginárias, mapas, paisagens inventadas e jogos visuais que refletem sobre território, memória e as formas de organização e domínio do espaço.
Grande parte dessas imagens nasceu durante o período em que o artista viveu entre Brasília e Cuiabá. As queimadas que atingiram o Cerrado e o Pantanal em 2020, somadas à experiência do isolamento durante a pandemia, contribuíram para a criação dessas paisagens imaginadas, nas quais a ideia de ilha surge como refúgio possível diante da instabilidade do mundo.
A abertura contará com visita mediada conduzida pelo próprio artista e, na sequência, com a oficina gratuita Paisagens Imaginadas, realizada em parceria com o Labirinto Instituto Criativo, de Cuiabá.
Pouco depois, às 19h, a Galeria de Artes do Ordovás recebe “Zona Plástica”, segunda exposição individual de Julia Mareco em Caxias do Sul. A artista, nascida em São Paulo em 2002 e formada em Artes Visuais pelo Centro Universitário Belas Artes, parte de conceitos da engenharia dos materiais para investigar aquilo que permanece depois do rompimento.
Na engenharia, a chamada "zona plástica" representa o momento em que um material ultrapassa seu limite de adaptação e já não consegue retornar ao estado original. É desse conceito que nasce a poética da exposição, que utiliza cerâmica, cimento, pintura e dispositivos interativos para refletir sobre as marcas deixadas pelo tempo, pela pressão e pelas experiências vividas.
As obras propõem encontros e fricções com o público, transformando gestos cotidianos, como escrever em uma folha de papel ou deixar marcas sobre o cimento fresco, em registros de permanência e resistência.
Ao relacionar matéria e memória, Julia sugere que existir é também reorganizar-se continuamente após cada impacto, criando novas formas de seguir adiante mesmo quando já não é possível voltar ao que se era antes.
Além da mostra, a artista ministra nesta sexta-feira (17), às 14h, a oficina gratuita Linha de Transmissão, uma dinâmica coletiva de observação e tradução gráfica voltada ao coletivo de artistas FENDA. As vagas são limitadas e as inscrições podem ser realizadas junto à Unidade de Artes Visuais.
Com entrada gratuita e classificação livre, as duas exposições permanecem em cartaz até 16 de agosto.
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