José Luiz Facchin, coordenador do projeto Mãos que Ajudam realizado pela ADCE Caxias do Sul e o Banco de Alimentos
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28.07.2026 - 10h59min
Em tempos em que tanto se fala sobre transformação social, acredito que uma das formas mais verdadeiras de mudar a realidade à nossa volta continua sendo a solidariedade concreta. Aquela que sai do discurso, atravessa a porta de casa e se coloca a serviço de quem mais precisa. Ajudar o próximo não é apenas um gesto de bondade, é uma responsabilidade humana, cristã e cidadã.
Foi com esse sentimento que, em 2021, nasceu o projeto Mãos que Ajudam, da ADCE Caxias do Sul. Naquele momento, vivíamos um dos períodos mais difíceis da nossa história recente. A pandemia da covid-19 havia paralisado encontros, eventos e muitas das ações presenciais da entidade. Ao mesmo tempo, a vulnerabilidade social aumentava, muitas famílias perdiam renda e entidades beneficentes enfrentavam dificuldades ainda maiores para manter seus atendimentos.
Diante desse cenário, entendemos que era preciso fazer algo concreto. Não bastava esperar a pandemia passar. Era necessário agir, dentro das possibilidades daquele momento, para levar alimento, cuidado e esperança a quem estava em situação de necessidade. Assim surgiu o Mãos que Ajudam, inicialmente com o objetivo de arrecadar alimentos não perecíveis, cestas básicas e doações em dinheiro, revertidas na compra de alimentos, produtos de higiene e limpeza para entidades não governamentais e sem fins lucrativos de Caxias do Sul.
Com o passar do tempo, o projeto cresceu, ganhou força e, ainda em 2022, tornou-se parceiro do Banco de Alimentos de Caxias do Sul. A partir dessa união, o Mãos que Ajudam passou a integrar mensalmente o Sábado Solidário, ação realizada em supermercados da cidade. Hoje, o projeto reúne mais de 100 voluntários, entre adeceanos e não adeceanos, que doam seu tempo em um sábado por mês para uma missão simples, mas profundamente transformadora: convidar a comunidade a doar.
Atualmente, o Mãos que Ajudam atua em 12 mercados: 10 unidades da Rede Andreazza, uma unidade do Zaffari e um mercado Savi. No total, o Sábado Solidário envolve cerca de 40 mercados em Caxias do Sul. O resultado desse esforço coletivo é expressivo: em torno de 130 toneladas por ano de alimentos não perecíveis arrecadados.
Mas, mais do que números, estamos falando de vidas. A coleta de alimentos é fundamental para combater a vulnerabilidade alimentar em nossa cidade. Com essa arrecadação, somada a outras ações realizadas pelo próprio Banco de Alimentos, são atendidas mais de 100 entidades sociais, que juntas viabilizam mais de 10 mil refeições diárias. São crianças, pessoas idosas e famílias que, muitas vezes, têm naquela refeição a principal ou única alimentação do dia.
Essa é, sem dúvida, a grande importância do Mãos que Ajudam. O projeto mostra que, quando a sociedade se une, o impacto é real. Também aprendemos, ao longo dessa caminhada, que ser voluntário é receber muito mais do que se entrega. Quem participa do Mãos que Ajudam percebe que pequenos gestos, quando somados, têm uma força extraordinária.
A solidariedade precisa ser cultivada como um compromisso permanente. Não deve aparecer apenas em momentos de crise, embora seja nas crises que ela se revele ainda mais necessária. A fome não espera. A necessidade não escolhe data. Por isso, projetos como o Mãos que Ajudam seguem sendo essenciais para manter viva uma rede de apoio que envolve voluntários, empresas, entidades e a comunidade.
Ajudar o próximo é uma escolha. E, quando essa escolha se transforma em ação coletiva, ela alimenta não apenas corpos, mas também a esperança de uma cidade mais humana, fraterna e solidária.
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