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Fase inicial

UCS pesquisa uso da casca de pinhão para produzir carvão ativado

Estudo busca identificar propriedades do material e avaliar seu potencial para tratamento de água, efluentes industriais e filtragem de emissões

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Jornalista - Redação

redacao@serraempauta.com.br

Bruno Zulian/Divulgação
Quatro pesquisadores da UCS posam em uma área de mata. Uma pesquisadora segura um recipiente com cascas de pinhão, material utilizado em estudo sobre a produção de carvão ativado.

Pesquisadores vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Ciências Ambientais da Universidade de Caxias do Sul (UCS) realizam uma pesquisa com o objetivo de transformar a casca do pinhão em carvão ativado.

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O material, utilizado no tratamento de água, efluentes industriais e na filtragem de emissões atmosféricas, pode ganhar uma matéria-prima regional especialmente durante a época de safra da semente da araucária.

A pesquisa está em fase inicial e busca identificar as propriedades do material e avaliar seu potencial de ativação.

O carvão ativado é utilizado em processos de tratamento de água e efluentes industriais, além da filtragem de emissões atmosféricas. A proposta da pesquisa é avaliar se a casca do pinhão, um subproduto regional disponível principalmente durante o período de safra da semente da araucária, pode ser utilizada como matéria-prima para a produção do material.

O projeto é coordenado pelo professor Lademir Luiz Beal, com participação dos pesquisadores Rafael Spohr e Lucas David e da estudante de Biomedicina Sara Brasil.

Segundo Spohr, o estudo dá continuidade a pesquisas desenvolvidas pela UCS com o aproveitamento de subprodutos regionais. No final de 2025, o grupo trabalhou com a produção de carvão ativado a partir de caroço de pêssego.

"Conseguir dar uma finalidade útil a essa casca para produzir carvão ativado faz com que as pessoas percebam que aquilo que elas costumam jogar fora pode virar um produto de valor comercial e ambiental", destaca o pesquisador.

Pesquisa avalia propriedades da casca do pinhão

Embora o carvão ativado possa ser produzido a partir de diferentes matérias-primas, os pesquisadores explicam que cada material apresenta propriedades físicas e químicas próprias. Por isso, uma das etapas do estudo será identificar as características da casca do pinhão e verificar se ela apresenta algum diferencial em relação às matérias-primas já utilizadas.

Neste primeiro momento, a pesquisa é realizada em escala laboratorial. Segundo Spohr, serão necessários menos de 10 quilos de pinhão para os testes iniciais.

A etapa preliminar permitirá avaliar as propriedades do material e seu potencial de ativação. A partir dos resultados, o projeto poderá ser ampliado. O cronograma completo, incluindo pesquisas, ensaios de absorção e análises práticas, deve levar entre seis meses e um ano.

Casca passará por pirólise e ativação química

Para a produção do carvão ativado, a casca do pinhão será submetida a dois processos: pirólise e ativação química.

A pirólise consiste em um tratamento térmico realizado na ausência de oxigênio, que transforma moléculas maiores em moléculas menores. Na sequência, ocorre a ativação química do carvão produzido.

Esse processo aumenta significativamente a área superficial do material, característica que permite ao carvão ativado atuar na absorção de impurezas.

"Podemos chegar a um resultado maravilhoso com um material de propriedade única, ou concluir que ele se comporta como qualquer outro carvão ativado tradicional. De qualquer forma, o resultado gerado é ciência e serve de base para novos estudos", explica Spohr.

Os resultados da pesquisa deverão servir de base para a produção de artigos científicos. Caso sejam identificadas propriedades ou técnicas inovadoras, os pesquisadores também avaliam a possibilidade de registrar patentes relacionadas aos processos desenvolvidos.

Araucária

O pinhão é a semente da araucária, espécie que possui mais de 200 milhões de anos e também é conhecida como pinheiro-araucária e pinheiro-brasileiro.

A espécie pertence à família Araucariaceae, que ocorre exclusivamente no Hemisfério Sul. Na América do Sul, existem duas espécies da família. A araucária pode atingir até 50 metros de altura, apresenta tronco reto e desenvolve uma copa característica em formato de taça na fase adulta.

No Brasil, sua ocorrência natural está concentrada em populações esparsas nas regiões Sudeste e Sul. (Fonte: Embrapa)

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