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Câmara de Caxias autoriza o Executivo a contratar empréstimo de até R$ 550 milhões

Operação terá garantia da União e prevê recursos para obras de infraestrutura e projetos municipais

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Jornalista - Redação

redacao@serraempauta.com.br

Rafael da Silva Carvalho/Câmara de Caxias/Divulgação
Plenário da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul durante sessão extraordinária, com parlamentares reunidos para votação. Ao fundo, o painel eletrônico exibe o registro de voto da vereadora Estela Balardin.

A Câmara de Vereadores de Caxias do Sul autorizou, por 12 votos a 11, a Prefeitura a contratar uma operação de crédito de até R$ 550 milhões. A votação ocorreu durante sessão extraordinária nesta quinta-feira (29). O projeto de lei, de autoria do Executivo, prevê que o financiamento seja contratado junto à Caixa Econômica Federal, ao Banco do Brasil ou às duas instituições, com garantia da União.

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A proposta recebeu uma mensagem retificativa que ampliou o limite inicialmente previsto, de R$ 490 milhões para R$ 550 milhões. Para entrar em vigor, o texto precisa ser sancionado pelo prefeito Adiló Didomenico.

Emendas e destinação dos recursos

Das quatro emendas apresentadas ao projeto, apenas uma foi aprovada. A emenda aditiva 5/2026, de autoria do vereador Hiago Morandi (Novo), inclui entre as possibilidades de aplicação dos recursos a elaboração de projeto e a construção de uma sede própria para a Guarda Municipal. O parlamentar defendeu a necessidade de qualificar a estrutura da corporação. Alexandre Bortoluz (Progressistas) também destacou que solicita, desde 2021, a construção de um quartel para a Guarda.

As outras três emendas foram rejeitadas. A vereadora Sandra Bonetto (Novo) propôs retirar do projeto o artigo 8º e o anexo I, que estabelecem as contrapartidas do Município. Já a bancada do PT, formada por Estela Balardin, Lucas Caregnato e Rose Frigeri, apresentou uma emenda para condicionar cada operação de crédito à aprovação prévia da Câmara. A terceira proposta rejeitada, novamente de Morandi, pretendia impedir o uso dos recursos para pagar juros, multas, comissões e outros encargos financeiros de dívidas anteriores.

Vereadores divergem sobre o endividamento

Durante a discussão, Lucas Caregnato afirmou que o Legislativo não deve se limitar a aprovar automaticamente as iniciativas do Executivo. O vereador cobrou transparência e alertou para o impacto que o empréstimo poderá ter nas finanças municipais ao longo das próximas oito gestões. Morandi também manifestou preocupação com possíveis mudanças na finalidade dos recursos.

A vereadora Daiane Mello (PL) citou operações de crédito anteriores cujos valores, segundo ela, não teriam sido integralmente aplicados nas finalidades previstas, mencionando como exemplo a política de canalização.

Líder do governo na Câmara, Zé Dambrós (PSB) defendeu a contratação do financiamento e destacou a existência de diversas demandas no Município, entre elas a situação do esgotamento sanitário. O parlamentar considerou contraditório reivindicar mais investimentos e, ao mesmo tempo, votar contra a contratação de crédito.

Obras e investimentos previstos

Na justificativa do projeto, o Executivo afirma que os recursos serão destinados a despesas de capital, incluindo obras de infraestrutura e investimentos estruturantes. Entre as áreas mencionadas estão a construção da Policlínica, a construção e ampliação de escolas, ações de esporte e lazer, preservação do patrimônio histórico, cultural e turístico, políticas habitacionais, gestão de resíduos sólidos, pavimentação urbana e rural e melhorias na infraestrutura viária.

A administração Adiló também prevê utilizar parte dos valores para o pagamento de contrapartidas de diferentes obras.

Projeto proíbe uso dos recursos no Caso Magnabosco

O texto aprovado estabelece restrições à aplicação do financiamento. Os recursos não poderão ser utilizados para pagamento, amortização, quitação ou acordos judiciais e extrajudiciais relacionados à ocupação da área do Bairro Primeiro de Maio, no chamado Caso Magnabosco. Também fica proibido o uso do dinheiro para custear precatórios judiciais ou passivos litigiosos.

A proposta determina, ainda, que os valores sejam movimentados em contas bancárias específicas, vinculadas a cada uma das finalidades autorizadas.

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