“Triste menestrel” reúne versos sobre juventude, natureza, amores, solidão e os desafios do fazer literário
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21.08.2026 - 15h38min
O escritor caxiense Lúcio Humberto Saretta prepara o lançamento do seu mais novo livro “Triste menestrel”, publicado pela Editora Bestiário. O encontro será realizado no dia 18 de setembro, às 19h, no Zarabatana Café, no Centro de Cultura Ordovás, em Caxias do Sul.
Com 114 páginas, a obra reúne poemas que percorrem temas como a juventude perdida, os mistérios da natureza, os amores, a solidão e as angústias relacionadas à criação literária.
Em “Triste menestrel”, Saretta aposta em uma poesia construída a partir de formas pré-estabelecidas. Os poemas aparecem, em sua maioria, organizados em quadras, com a rima e o ritmo assumindo papel importante na composição.
O autor raramente recorre ao verso livre, transformando a estrutura formal em parte essencial do processo criativo.
A escolha, no entanto, não representa uma limitação para os poemas. Conforme a apresentação da obra, a “carpintaria lúdica” das formas poéticas conduz o escritor a descobertas e caminhos inesperados, ampliando as possibilidades de interpretação. O resultado é uma poesia que, ao mesmo tempo em que revela, também esconde, criando enigmas para o leitor decifrar ao longo das páginas.
A linguagem também transita entre diferentes registros. A norma culta e a linguagem coloquial convivem nos poemas, em uma escrita que aproxima referências literárias de diferentes períodos da experiência cotidiana e pessoal do autor.
Entre as influências que contribuíram para a gênese do livro estão obras de Lêdo Ivo, Lord Byron, Edgar Allan Poe, Walt Whitman, Robert Frost, Fabrício Limberger, Felipe Pauluk e Lya Luft, além de poemas de Cecília Meireles e Mario Quintana. A obra também dialoga com a estética do “mal do século” e do spleen romântico e com a tradição poética de língua inglesa.
Uma poesia entre o vivido e o fabulado
A quarta capa de Triste menestrel é assinada pela poeta Mar Becker, que identifica na obra uma aposta no instante, na memória e nos pequenos acontecimentos que atravessam a vida.
Para Becker, os poemas de Saretta apresentam uma voz contemplativa, capaz de reunir paisagens, cores, tempos e personagens em uma poesia que transforma experiências pessoais em matéria literária. A autora também destaca a presença de bares, amizades e amores perdidos, ao lado de elementos mais sutis e enigmáticos.
A leitura, segundo a poeta, faz com que vivido e fabulado se confundam, permitindo que o cotidiano se expanda por meio da imaginação. É nesse espaço entre realidade, memória e sonho que se constrói a identidade de Triste menestrel.
Trajetória literária
Nascido em Caxias do Sul, em 1972, Lúcio Humberto Saretta é formado em Publicidade e Propaganda pela PUC-RS e em Biblioteconomia pela UCS. Ao longo da carreira, publicou os livros “Alicate contra diamante”, “Crônicas douradas”, “Lições da barbearia”, “O louco no espelho”, “O cão e o violão” e “O beijo na lona”.
Como coautor, integrou coletâneas como “Tetraedro”, “Onisciente contemporâneo”, “Translações singulares”, “Não culpe o narrador”, “Tudo Soma Zero” e “Vigílias”.
O escritor também foi duas vezes vencedor do Concurso Anual Literário, na categoria crônicas, promovido pela Biblioteca Pública Demétrio Niederauer, de Caxias do Sul. Em 2015, foi finalista do concurso Brasil em Prosa, promovido pela Amazon, Samsung e O Globo, com o conto “O menino, a praça e o tempo”.
Saretta já colaborou com diferentes sites e participou de eventos literários como as Feiras do Livro de Caxias do Sul e Porto Alegre, Flipoços e a Jornada Nacional da Literatura de Passo Fundo. Em 2015, cursou a Oficina de Criação Literária ministrada pelo escritor Luiz Antônio de Assis Brasil, na PUC-RS.
Também integrou o Projeto Autor Presente, realizando encontros literários em instituições de ensino e prisionais de diferentes cidades do Rio Grande do Sul.
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