Mostra reúne fotografias produzidas entre 1997 e 2002 e propõe reflexão sobre preservação do patrimônio
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24.09.2026 - 09h41min
Antes de receber exposições, apresentações, oficinas e diferentes manifestações artísticas, o espaço que hoje abriga o Centro de Cultura Dr. Henrique Ordovás Filho esteve ligado à produção, ao trabalho e à convivência de gerações de caxienses. Essa história é retomada pela exposição “25 anos: a importância da preservação”, que abre nesta sexta-feira (25), no Largo Expositivo do Centro de Cultura, em Caxias do Sul.
A mostra reúne fotografias de Mario André Coelho de Souza, pertencentes ao Acervo Municipal de Artes Plásticas (AMARP), e apresenta registros realizados entre 1997 e 2002, período que acompanha as transformações do antigo complexo da Cantina Antunes até sua conversão em equipamento cultural. A iniciativa é organizada pela Unidade de Artes Visuais da Secretaria da Cultura.
A exposição é uma releitura de “Cantina Antunes: registros de uma transição” e recupera imagens de diferentes momentos desse processo. Os registros permitem observar a passagem de um espaço marcado pela atividade industrial para um local destinado à produção e à difusão cultural.
Inaugurado em 9 de outubro de 2001, o Centro de Cultura Dr. Henrique Ordovás Filho ocupa parte do antigo complexo da Cantina Antunes, preservando edificações que fazem parte da história de Caxias do Sul. Ao longo de 25 anos, o espaço passou a integrar a cena cultural da cidade, recebendo artistas e iniciativas de diferentes áreas.
A história do local, porém, começa muito antes da criação do Centro de Cultura. A Luiz Antunes S.A., empresa fundada em Porto Alegre pelo português Luiz Francisco Antunes em 1865, chegou à Serra Gaúcha em 1910. Em 1937, foi inaugurado em Caxias do Sul o complexo da Luiz Antunes & Cia., formado por 14 prédios de concreto, um pórtico e uma chaminé.
Voltada à produção de bebidas, especialmente vinhos e destilados, a empresa também esteve presente na vida social de seus trabalhadores e da comunidade.
O complexo contava com iniciativas e espaços como escola, capela, salão de festas e sociedade recreativa, fazendo do local não apenas um ambiente de trabalho, mas também um ponto de encontro e convivência.
A empresa encerrou definitivamente suas atividades em 1982, em razão de dívidas com a União. Cinco anos depois, em 1987, o complexo foi entregue pela Fazenda Nacional à Prefeitura Municipal de Caxias do Sul.
Já em 1997, teve início a reforma de parte das edificações para implantação do Centro de Cultura.
É justamente esse período de transição que ganha destaque na exposição. As fotografias evidenciam as marcas do passado e as mudanças pelas quais o conjunto passou, permitindo acompanhar a transformação de um patrimônio ligado à história econômica e social da cidade em um espaço de cultura.
Ao propor esse reencontro entre diferentes tempos, “25 anos: a importância da preservação” também chama atenção para a ideia de patrimônio como algo vivo. A preservação das edificações possibilitou que o espaço continuasse sendo ocupado e ressignificado, incorporando novas memórias às histórias que já estavam presentes no local.
Ao longo de sua trajetória, o Centro de Cultura Dr. Henrique Ordovás Filho tornou-se espaço para artistas criarem, experimentarem e apresentarem seus trabalhos, além de receber atividades culturais abertas à comunidade.
A mostra segue até o dia 25 de outubro. As visitas podem ser feitas nas segundas-feiras, das 9h às 16h; de terça a sexta-feira, das 9h às 22h; e nos sábados, domingos e feriados, das 14h às 22h.
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