A comunidade protesta contra a retirada de semáforos do entroncamento da ERS-122
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22.05.2026 - 12h21min
Com faixas e cartazes, dezenas de moradores reclamam das obras de duplicação no trevo de acesso a Monte Bérico, na ERS-122, a Rota do Sol, em Caxias do Sul. Está prevista a construção de uma rótula alongada para facilitar o trânsito dos veículos na rodovia e assegurar a segurança da entrada e saída do bairro.
O plenário Nadyr Rossetti da Câmara de Vereadores ficou lotado no início da semana, durante audiência pública para debater as obras de duplicação da rodovia em execução pela concessionária Caminhos da Serra Gaúcha (CSG).
A comunidade protesta contra a retirada de semáforos do entroncamento, lugar que ficou conhecido pelos acidentes de trânsito, muitos deles com vítimas fatais.
Depois de muitos anos, um acordo judicial entre a Secretaria de Trânsito e o Daer garantiu a instalação de sinaleiras no local em 2014, medida que diminuiu o número de acidentes.
A retirada do sistema semafórico deixou a comunidade novamente apreensiva.
"Não aceitamos que o progresso de Caxias do Sul seja pavimentado com risco da nossa comunidade. A vida de quem transita por Monte Bérico e Santa Lúcia deve ser prioridade absoluta. Buscamos respostas e clamamos por segurança e nosso direito de transitar", salientou a representante da comunidade Nádia Mendes, ao ocupar a tribuna.
O presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Legislação do Legislativo, vereador João Uez, criticou a falta de representantes do governo do Estado na audiência pública.
"Se ali ocorrer alguma morte em função da retirada da sinaleira e não uma construção de um viaduto ou de uma elevada só se tem um nome para o responsável dessa morte: Eduardo Leite", afirmou o parlamentar.
Representando a comissão de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa, o deputado Pepe Vargas sugere o encaminhamento de um pedido de construção de uma elevação ao governo do Estado.
"O Estado com os recursos do fundo de reconstrução, tem R$ 14 bilhões de reais no fundo de reconstrução. É muito simples, o Estado assume a construção dessa elevada que é uma solução definitiva", explica o deputado.
Conforme o representante da concessionária CSG, Ricardo Peres, o contrato de duplicação da rodovia prevê a construção de uma rotatória alongada no entroncamento, fruto de estudos de técnicos e projetistas da concessionária.
Ao ocupar a tribuna, o diretor-administrativo da CSG afirmou que a obra não comporta o semáforo porque o cruzamento alongado não é transversal e que a rotatória alongada resolveria o problema no entroncamento para os próximos 20 anos, conforme estudos da concessionária.
Peres mencionou também que a construção de viadutos ou elevadas não está prevista nos custos da obra e que poderia até acarretar um aumento da tarifa dos pedágios.
"É lógico que a elevada é muito mais segura, não existe nenhum tipo de cruzamento mais seguro do que um cruzamento em desnível onde você separa o fluxo da rodovia num nível de baixo e no nível de cima, você faz o cruzamento da rodovia, porém isso não está no nosso contrato, o que está sendo colocado ali é o que está no preço do pedágio hoje", esclarece o diretor da CSG.
Os moradores do bairro entregaram um abaixo-assinado aos deputados solicitando a permanência dos semáforos no trecho. Outra sugestão da comunidade é a construção de uma elevada ou viaduto para garantir a segurança no trânsito de quem entra e sai do bairro.
Como encaminhamento da reunião, foi definida a solicitação de uma audiência com o governador do Estado e representantes do DAER sobre o tema. Os moradores também vão pedir junto ao Ministério Público a suspensão provisória das obras no local para evitar a retirada das sinaleiras do trevo.
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