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Investigação

Polícia Civil cumpre busca no gabinete do presidente da Câmara de Caxias

Wagner Petrini afirma que ação está relacionada a ex-assessor e diz não ter envolvimento no caso

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Jornalista - Redação

redacao@serraempauta.com.br

André Tajes/Serra em Pauta
Polícia Civil cumpre busca no gabinete do presidente da Câmara de Caxias

A Polícia Civil cumpriu, na manhã desta sexta-feira (11), um mandado de busca e apreensão no gabinete do presidente da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul, vereador Wagner Petrini (PSB). A ação foi conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), durante uma nova fase da Operação Veneer, que investiga uma organização criminosa suspeita de agiotagem, extorsão e outros delitos.

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No início da tarde, Petrini concedeu coletiva de imprensa e negou qualquer participação na investigação da Polícia Civil. Segundo ele, o procedimento envolve fatos relacionados a um ex-assessor que trabalhou em seu gabinete na legislatura anterior.

“Eu sou 100% limpo e não tenho um minguinho de envolvimento com qualquer tipo de ação como esta”, afirmou.

Busca no gabinete

Petrini relatou que acompanhou os policiais durante a busca e apreensão realizada no gabinete. Segundo ele, os agentes procuravam documentos, planilhas ou anotações que pudessem ter relação com a investigação, mas nenhum material foi levado.

“Não levaram nenhum documento porque não tinha realmente nada”, declarou.

De acordo com Petrini, o ex-assessor deixou o gabinete há cerca de dois anos e meio. Ele confirmou, porém, que o ex-servidor vinha auxiliando sua campanha para deputado estadual.

Petrini questiona momento da operação

Durante a coletiva, o vereador também criticou o momento em que a operação foi realizada, a poucas semanas das eleições. Segundo ele, a investigação estaria em andamento há quase um ano. Ele considera que a operação poderia ter ocorrido após o período eleitoral.

“Eu só achei injusto porque essa operação, essa investigação, ela já faz um ano que está tramitando. Não custaria deixar mais 15 dias para fazer a execução?”, questionou.

O vereador afirmou que a divulgação da busca em seu gabinete pode provocar impacto em sua campanha eleitoral, mesmo que, segundo ele, não exista envolvimento pessoal com os crimes investigados.

“Eu não vou ser indiciado, não tenho participação, mas vou levar o ônus de ter aparecido uma matéria que o meu gabinete foi alvo de busca e apreensão. Se errou, vai pagar”, declarou.

Presidente diz estar à disposição da investigação

Petrini afirmou ainda que não foi conduzido pela polícia. Segundo ele, foi até a delegacia em veículo próprio após ser convidado pelos investigadores para prestar esclarecimentos.

O vereador reiterou que não teve acesso aos detalhes da investigação e que permanece à disposição das autoridades para novos esclarecimentos.

“Eu ando de peito aberto. O que precisar de mim para esclarecer algum fato ou outro, não devo nada em relação a essa operação”, afirmou.

Draco divulga detalhes da operação

À tarde, a Draco, por meio de nota, divulgou detalhes da operação. Ao todo, foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão em endereços relacionados aos investigados, entre eles o gabinete do presidente da Câmara caxiense. Também foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva.

Até o momento, quatro homens, com idades de 36, 42, 43 e 51 anos, foram presos.

A investigação começou em 2025 e foi ampliada após a primeira fase da Operação Veneer, realizada em abril daquele ano. Segundo a Polícia Civil, as diligências permitiram identificar novos integrantes e colaboradores e detalhar a estrutura utilizada pelo grupo para conceder, administrar e cobrar empréstimos ilegais.

Grupo é investigado por agiotagem e extorsão

De acordo com a investigação, parte das atividades era realizada por meio de um nome comercial relacionado a serviços financeiros. O grupo concederia empréstimos com juros abusivos, inclusive no sistema conhecido como “gota a gota”, no qual as parcelas são cobradas diariamente.

A Polícia Civil também identificou indícios de uso de ameaças, intimidação e outros meios coercitivos para pressionar devedores.

A estrutura investigada teria pessoas responsáveis pela administração dos empréstimos, captação de clientes, disponibilização de recursos e cobrança das dívidas. Também foram identificados cobradores que atuavam diretamente com os devedores.

Prisão em flagrante

Durante o cumprimento dos mandados, um dos homens alvo de prisão preventiva também foi detido em flagrante. Segundo a Polícia Civil, ele estava em posse de munições de calibre 9mm e calibre 12, além de uma granada indoor.

As medidas judiciais também incluem o bloqueio de contas bancárias e veículos dos investigados, em valores que chegam a R$ 500 mil.

Após os procedimentos, os presos foram encaminhados ao sistema prisional e permanecem à disposição da Justiça.

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