A percepção coletiva nasce das nossas experiências individuais, mas tende a amplificar riscos, desconfortos e inseguranças
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27.08.2026 - 11h14min
A Serra Gaúcha é próspera e tem características únicas. Temos inúmeros motivos para nos orgulhar da região: ativos ambientais relevantes, paisagens marcantes e uma identidade que a diferencia de outros territórios. Também somos reconhecidos pela cultura, com boa comida, fartura e vocação para o turismo.
Além disso, as nossas pessoas fazem toda a diferença. Somos diversos, resilientes e competentes. A Serra Gaúcha é reconhecida pelo seu DNA empreendedor e foi o berço do associativismo. Nossa região figura entre as mais desenvolvidas do país e concentra riqueza acima da média nacional. Por isso, sempre foi destino de migrantes em busca de tempos melhores e oportunidades.
Paralelamente a esse cenário de prosperidade e de promessa de sucesso, encontramos um ambiente tomado por críticas, desconfortos e oportunidades ainda pouco aproveitadas. Muitas vezes, penso que não valorizamos a nossa região nem o talento que nela habita. Talvez, o ponto central não seja negar os problemas, mas perguntar por que uma região com tantos ativos costuma narrar a si mesma pela falta, pelos defeitos ou pela dificuldade.
Em momentos de instabilidade e mudança, naturalmente, nosso instinto é reagir e buscar proteção – ou alguma sensação semelhante a isso. Nas últimas semanas, o debate sobre o futuro da cidade e as expectativas da nossa juventude iniciaram um debate importante: o que podemos fazer para melhorar a nossa cidade?
A percepção individual de cada um não é a verdade. É a versão do que aconteceu, interpretada pelas nossas experiências e repertório de vida. Mas, a construção coletiva das pessoas sobre a nossa realidade vai sendo compartilhada até que em algum momento ela deixa de ser percebida individualmente e torna-se, a percepção coletiva. Mas, quando a crítica deixa de apontar caminhos e passa a ocupar todo o espaço da conversa, ela transforma desconfortos reais em uma percepção coletiva de estagnação.
Em diversas ocasiões, a mesma Serra Gaúcha - berço do associativismo, pode ser retratada como uma cidade hostil e pouco acolhedora. Será que esse é um fato? Será que nós vivemos o associativismo que exportamos com sucesso? Na mesma Serra Gaúcha que inova em diversos segmentos como o moveleiro, transportes, alimentos e bebidas ou mesmo saúde, os movimentos de inovação não prosperam e encontram resistências. Ao mesmo tempo que elogiamos a grama do vizinho que está na Capital. Será que estamos criando espaços de experimentação e aprendizado coletivo? Será que estamos valorizando o que criamos na nossa região?
O futuro é uma construção coletiva. Mas, em tempos de dificuldades ou insegurança, ao invés de abrir espaços para críticas e para o medo, nós precisamos valorizar a colaboração e a coletividade. Olhar ao nosso redor e identificar redes de apoio, talentos e ativos que podem fazer com que as dificuldades possam ser contornadas. Além disso, agir coletivamente também pode reduzir a nossa insegurança. A verdade é que não existe tempestade que dure para sempre. Mas, o remédio para o pessimismo não é o otimismo. É a colaboração e o fortalecimento das redes de apoio.
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Criatividade e Tendências Bruno Bazanella Qual é o antídoto para o pessimismo? Caxias do Sul

