No texto de estreia, a jornalista e sommelière Babiana Mugnol apresenta o vinho produzido com a uva Bibiana pela Casa Zottis
babimugnol@gmail.com
08.01.2026 - 07h18min
Começo o ano brindando uma nova fase em minha carreira de mais de 20 anos de Jornalismo na Serra Gaúcha. A partir desta semana, inauguro aqui um quadro semanal para falar de vinhos. O nome da coluna não é por acaso. “NoVinho” remete à vontade de fazer algo novo, de experimentar, de viver novas histórias… É exatamente o que proponho ao compartilhar histórias de vida entre vinhas, tanques, garrafas e copos.
Sou jornalista, sommelière, filha da Serra e mãe de menina. Cresci entre parreirais, assim como muitos de vocês com familiares na região. Os primeiros contatos com a uva foram nas parreiras dos meus avós, em Caravaggio, no interior de Farroupilha. Talvez por isso o vinho nunca tenha sido, para mim, apenas uma bebida. Ele sempre foi narrativa, memória, território e identidade.
O “NoVinho” estreia justamente na primeira semana do ano, como um convite a começar 2026 com curiosidade e sensibilidade. Quero destacar novidades do setor vitivinícola, valorizar produtos nacionais, observar tendências — como os vinhos naturais — e, principalmente, aproximar quem cria de quem consome. Sabe aquele vinho novinho consumido direto do tanque ou na garrafa ainda sem rótulo? A ideia do quadro “NoVinho” é justamente dar essa sensação de fazer parte do processo por meio das informações que vou compartilhar, fruto de um relacionamento que construí em duas décadas de atividades em veículos de imprensa do Estado.
Sou formada em Comunicação Social pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). É neste mesmo campus que trabalho atualmente. Sou coordenadora de Comunicação do CETEC/UCS, instituição de Ensino Fundamental, Médio e Técnico, situada na UCS.
O foco que vou empregar aqui ao trazer histórias de vinhas vem de outra paixão: a leitura de biografias. Fiz mestrado em Comunicação e Informação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com pesquisa direcionada ao tema.
Ainda me apresentando ao leitor, devo acrescentar que talvez você não me conheça, mas eu já posso ter entrado na sua casa ou no seu carro em algum momento. Fiquei por mais de 10 anos no microfone da rádio Gaúcha e apresentava o Gaúcha Hoje, da rádio Gaúcha Serra, até 2023. Ao todo, foram mais de 15 anos trabalhando na RBS. Comecei no Jornal Pioneiro e o último trabalho ali foi assinando a coluna diária de economia Caixa-Forte.
Na RBS, fui autora do projeto multimídia +Vinhos, com comentários na Rádio Gaúcha e coluna no Jornal Pioneiro, além de publicações em GZH. Em paralelo, segui aprofundando meus estudos como sommelière. Fiz o curso da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-RS) e depois fui embaixadora da entidade em 2021. A segunda qualificação na área foi o Master Países e Regiões, também da ABS-RS, concluído em 2023.
Quero destacar também um grande aprendizado que tive sem receber nenhuma certificação. Eu já vinifiquei duas safras de forma artesanal na garagem da casa da minhã mãe com a uva Moscato que plantamos em Farroupilha, a de 2023 e a de 2024. A produção é apenas para consumo familiar, mas tem sido uma experiência maravilhosa.
Agora deu de falar de Babiana, pois quero te apresentar a Bibiana.
E a uva Bibiana, você conhece?
No episódio de estreia desta coluna, escolhi uma uva que carrega nome, literatura e identidade: a Bibiana. Desenvolvida pela Embrapa Uva e Vinho e inspirada na personagem de “O Tempo e o Vento”, de Érico Veríssimo, ela simboliza bem aquilo que me move neste projeto — a conexão entre cultura, território e vinho.
Os primeiros vinhos de Bibiana chegaram ao mercado em 2022 e ainda são poucas as vinícolas que elaboram. A Casa Zottis, no Vale dos Vinhedos, foi pioneira no cultivo e venda dessa novidade, que hoje já é o carro-chefe da marca familiar. Daniela Zottis, que administra a vinícola familiar, conta que seus clientes já pedem mais a Bibiana do que outras uvas tradicionais, como a Chardonnay.
"A gente tem 70% da nossa venda realizada diretamente aqui em nossa propriedade. Outros 25% em feiras que trabalhamos no Rio Grande do Sul. E temos 5% para restaurantes aqui da região", conta Daniela.
Assim como em O Tempo e o Vento, a uva Bibiana é forte e resistente na parreira, o que reduz tratamentos, mas tem toda a delicadeza das uvas finas brancas e aromáticas que tão bem identificam a Serra.
"A Bibiana é muito versátil. Se a gente colhe mais cedo, ela tem mais acidez e vai ter características da Sauvignon Blanc. Se a gente deixar maturar mais, ela vai lembrar muito Chardonnay", exemplifica.
Se fôssemos resgatar sua saga familiar, a árvore genealógica explicaria alguns traços da Bibiana pelo cruzamento de uvas que a originaram.
"Ela é filha da uva Lorena, que vem da Malvasia e da Seyve Villard. Depois a gente tem um corte com a Moscato que acaba sendo o avô nessa história toda", explica a produtora.
A Casa Zottis tem também um vinho da uva Bibiana envelhecido em barrica de carvalho.
E aí, curtiu conhecer um pouco mais dessa uva gaúcha? Que tal aproveitar esse início de ano e o verão para degustar um vinho branco? Me acompanhe que vou trazer mais histórias para degustarmos juntos!
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