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Criatividade e Tendências

O que faria o jovem ficar em Caxias?

A pesquisa divulgada pela Fundação Marcopolo aponta que apesar de 81% dos jovens gostarem de morar na cidade, 67% iriam embora se pudessem

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Fonte Normal
Jornalista - Bruno Bazanella

redacao@serraempauta.com.br

Divulgação
O que faria o jovem ficar em Caxias?

A divulgação da pesquisa realizada pela Fundação Marcopolo, como parte do simpósio “O Futuro que queremos”, expôs uma realidade já perceptível nas conversas e atividades de quem atua com jovens em Caxias do Sul. Embora a cidade esteja entre as maiores do país e seja a segunda maior do Estado, os dados indicam que ainda há problemas importantes a serem enfrentados pelo poder público, pela iniciativa privada e pela sociedade.

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Por muitos anos, Caxias do Sul foi vista como promessa de prosperidade e bons empregos, sobretudo por sua vocação industrial. A expectativa de salários melhores e alguma estabilidade colocou a cidade na lista de desejos de inúmeras famílias. Por isso, não é incomum encontrar pessoas e famílias inteiras que migraram de cidades menores, da fronteira ou de outros estados.

Não é possível afirmar que Caxias deixou de ser uma cidade próspera. Ainda assim, há tempos ecoa uma insatisfação com a oferta de entretenimento e vida cultural por esses lados. Uma cidade que, nos anos 90, figurou entre os melhores destinos para aproveitar a noite e se divertir com os amigos passou, aos poucos, a ser reconhecida principalmente como a cidade do trabalho.

A mudança da relação das pessoas com o trabalho impõe desafios à nossa cidade, porque além dos desafios relacionados ao custo de vida, a indústria também já não é uma garantia de emprego, carreira e estabilidade. Tanto é verdade que o segmento de comércio e serviços já supera o número de pessoas empregadas na indústria, segundo o Observatório Setorial Territorial.

A crise de interesse e a nova dinâmica econômica podem abrir caminho para um futuro mais interessante para o jovem caxiense? Esta é a questão que precisamos debater, em vez de apenas sentenciar as novas gerações ou reclamar de uma suposta falta de valorização do trabalho. As mudanças já estão acontecendo, e nós precisamos agir diante desse novo panorama.

A pesquisa divulgada faz parte de um longo trabalho da Fundação Marcopolo, do qual tive o prazer de participar. Nesse processo, ouvi jovens questionarem por que é tão caro ir de ônibus ao parque e por que não existem mais parques próximos de suas casas. Talvez o caxiense acostumado a andar de carro próprio não perceba, mas há quem queira e mereça ter tempo de lazer sem depender exclusivamente do transporte individual. Também ouvi jovens perguntarem por que as atividades precisam acontecer apenas no Parque dos Macaquinhos, e não em praças próximas de seus bairros. Penso que eles têm bastante razão em questionar. Outros jovens, com coragem, perguntaram por que as fábricas precisam começar tão cedo em uma cidade onde faz tanto frio e por que o transporte público atende de forma tão limitada as instituições de ensino superior.

Ao ouvir os jovens e suas perguntas, percebi que eles questionam e reclamam de muitas questões que nós — jovens há mais tempo — acabamos desistindo de tentar mudar. E muitas dessas inquietações fazem total sentido. A verdade é que todo jovem que pensa em ir embora também deseja uma cidade para amar, viver e cuidar. E, nesse ponto, nós estamos deixando a desejar, mas ainda há tempo para criar motivos para ele ficar.

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