Levantamento com 1.044 pessoas entre 15 e 29 anos revela desafio para reter talentos
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17.08.2026 - 19h46min
Dois em cada três jovens deixariam Caxias do Sul se tivessem oportunidade. O dado faz parte da pesquisa "O Futuro que Queremos", apresentada pelo gerente da Fundação Marcopolo, Luciano Balen, durante a reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Caxias do Sul, nesta segunda-feira (17).
Realizado em 2025 com 1.044 jovens entre 15 e 29 anos, o levantamento mostra um contraste na percepção das novas gerações. Embora 81% dos entrevistados acreditem que poderão ter uma vida próspera no futuro e mais de 80% afirmem gostar de Caxias do Sul, 67% dizem que deixariam o Município se pudessem.
Para Balen, o resultado representa um alerta sobre a capacidade da cidade de oferecer condições para que os jovens possam estudar, trabalhar e desenvolver seus projetos de vida no Município.
"A nossa cidade está perdendo talento", afirmou.
Segundo o gerente da Fundação Marcopolo, muitos jovens têm acesso a boas escolas, aprendem idiomas e buscam qualificação, mas acabam encontrando fora de Caxias do Sul as experiências e oportunidades que procuram.
"A nossa força, a nossa mentalidade vai embora com eles", acrescentou.
Pesquisa busca entender expectativas dos jovens
A pesquisa integra um programa da Fundação Marcopolo voltado à reflexão sobre o futuro e o desenvolvimento de Caxias do Sul. Além dos 1.044 participantes do levantamento, cerca de 300 jovens foram ouvidos em entrevistas audiovisuais realizadas por alunos da Escola Marcopolo de Criatividade.
O trabalho procurou identificar sonhos, expectativas, hábitos e percepções da população jovem sobre a cidade.
Na abertura da reunião-almoço, o presidente da CIC Caxias, Ubiratã Rezler, destacou a importância de associar o desenvolvimento econômico ao planejamento de longo prazo.
"Não existe cidade inteligente sem desenvolvimento econômico", afirmou.
Ao defender a necessidade de projetar o Município para as próximas gerações, Rezler também questionou: "Que cidade estamos preparando para os nossos jovens?"
Educação aparece entre as prioridades
Um dos principais aspectos positivos identificados pelo levantamento está relacionado à educação. 93% dos entrevistados estudam e 91% afirmam que gostariam de continuar estudando ao longo da vida.
Para Balen, os números mostram que os jovens reconhecem a importância da formação contínua diante das transformações no mercado de trabalho.
A pesquisa também aponta que 51% dos participantes já trabalham. Quando questionados sobre o setor em que gostariam de atuar daqui a 10 anos, 52% citaram serviços, 43% administração, 30% indústria e 12% comércio.
Os dados podem servir de referência para empresas e instituições envolvidas com formação profissional, qualificação e estratégias para atração e retenção de mão de obra.
Qualidade de vida também preocupa
O levantamento identificou ainda desafios relacionados aos hábitos e à qualidade de vida dos jovens. Quatro em cada 10 entrevistados dormem menos de seis horas por dia.
Entre os participantes, 38% afirmaram sentir ansiedade algumas vezes e 24% disseram sentir ansiedade na maior parte do tempo. Também foram relatadas situações de solidão, mesmo na companhia de outras pessoas, além de tristeza e irritação frequentes.
Ao mesmo tempo, a convivência aparece entre as atividades preferidas. Conversar com amigos foi apontado por 83% dos jovens, enquanto 50% gostam de passear pela cidade e 44% citaram os esportes.
Apesar disso, cerca de um terço dos entrevistados não pratica esportes habitualmente e aproximadamente 40% não costumam frequentar parques e praças.
A relação com cultura e leitura também integra o diagnóstico. Segundo a pesquisa, 24% dos jovens não mantêm uma vida cultural ativa.
Retenção de jovens depende de oportunidades
Durante a apresentação, Balen defendeu que o planejamento de Caxias do Sul deve considerar não apenas infraestrutura e desenvolvimento econômico, mas também educação, cultura, esporte, espaços públicos, convivência e oportunidades.
Na avaliação dele, uma cidade capaz de atrair e manter talentos precisa oferecer condições para que as pessoas queiram viver, estudar, trabalhar e construir seus projetos no município.
O desafio, segundo Balen, deve envolver diferentes setores da sociedade. Poder público, empresas, instituições de ensino, organizações sociais e cidadãos precisam participar da construção de um projeto de longo prazo.
"O plano de cidade não pode ser feito por uma parcela. O plano de cidade tem que estar na boca de cada cidadão", afirmou.
Medellín é citada como referência
Como exemplo de transformação urbana, Balen citou Medellín, na Colômbia, destacando investimentos realizados pela cidade em áreas como educação, cultura, esporte, mobilidade, tecnologia, espaços públicos e governança.
A experiência, segundo ele, demonstra a importância de um projeto coletivo e de longo prazo, com participação do poder público, setor empresarial e sociedade.
Ao concluir a apresentação, Balen reforçou que o desafio de Caxias do Sul passa por criar condições para que as novas gerações encontrem no Município oportunidades para construir suas trajetórias.
"A gente tem muito mais aspectos que nos unem do que nos separam nesse lugar, nessa cidade", afirmou.
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